Um navio-tanque catariano que transporta gás natural liquefeito cruzou o Estreito de Ormuz neste domingo, pela primeira vez desde o início da guerra entre EUA/Israel e o Irã, em 28 de fevereiro. A travessia segue em direção ao Porto Qasim, no Paquistão.
A embarcação Al Kharaitiyat, operada pela QatarEnergy, foi acompanhada por dados da empresa de análise marítima Kpler. A passagem ocorre em meio a tensões na região e ao retorno de confrontos após um breve período de tranquilidade.
Fontes disseram que o movimento é visto como gesto de confiança do Irã em relação ao Catar e ao Paquistão, que atuam como mediadores no conflito. O governo iraniano, porém, advertiu que embarcações de países sob sanções dos EUA enfrentarão dificuldades no estreito.
A manobra acontece enquanto Washington aguarda a resposta de Teerã à sua proposta de encerrar formalmente a guerra para abrir negociações sobre temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano. A expectativa é de avanço rumo a uma resolução.
Segundo autoridades, o Kuwait detectou drones hostis em seu espaço aéreo no início deste domingo, num contexto de episódios de hostilidade na região após a travessia do navio catariano.
Parlamentares iranianos estariam discutindo um projeto de lei para ampliar o controle do estreito, incluindo restrições à passagem de embarcações de países considerados hostis. O debate ocorre em meio a pressões internacionais sobre a estabilidade da rota.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reuniu-se no sábado, em Miami, com o primeiro-ministro do Catar para alinhar ações com parceiros regionais. A medida busca manter a pressão para a retomada de negociações e a contenção de ameaças na região.
Na prática, a travessia catariana representa um retorno gradual da navegação comercial pela rota, que era responsável por uma parcela relevante do abastecimento global de energia antes do conflito. A situação segue sob vigilância internacional.
Desdobramentos e pressão regional
- Além da travessia, as autoridades iranianas reiteraram que atrasos ou dificuldades no Estreito podem impactar o comércio de países que seguem sanções.
- Países ligados à Otan têm recusado enviar navios para reabrir a passagem sem um acordo multilateral, elevando a importância de negociações entre as partes.
- No âmbito diplomático, a comunidade internacional acompanha de perto as respostas de Teerã e os próximos passos de Washington para destravar a crise.
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