Acordo global para pandemias enfrenta resistência do sul global e expõe falhas no atual sistema internacional. Após cinco anos de negociações, países em desenvolvimento pressionam para que o tema de eqüidade de vacinas seja central, sob a alegação de que o acesso mais justo ainda não está garantido. A controvérsia sustenta a demanda por mecanismos de partilha de tratamentos, incluindo vacinas, a partir de informações sobre novos patógenos.
Organizações e governos do norte defendem que informações sobre patógenos sejam compartilhadas e, em contrapartida, exigem que ferramentas médicas passen a ser divididas entre países desenvolvidos e emergentes. A posição dominante do norte sugere que a partilha de tecnologias seja voluntária, o que tem sido visto como insuficiente por representantes do sul global, que pedem garantias de acesso.
No debate, a relação entre farmacêuticas, estados e instituições internacionais permanece central. O sul global insiste na garantia de acesso a pelo menos uma fração significativa de medicamentos, bem como na transferência de tecnologia para produção local. O setor privado, por sua vez, tem resistido a obrigações firmes de compartilhamento.
As negociações sobre o tratado, iniciado em 2021, continuam previstas para o próximo ano, com paralisações já registradas em momentos distintos. A incerteza sobre o texto afeta a percepção de cooperação internacional em resposta a crises futuras, segundo analistas, que destacam a importância de um acordo que reconheça necessidades globais.
Especialistas apontam que a pandemia de Covid-19 evidenciou vulnerabilidades do sistema de governança global. Observadores indicam que, sem consenso, o tratado pode não avançar, extendendo a fragilidade associada a respostas coordenadas a emergências sanitárias. A discussão envolve equilíbrio entre normas de transparência, incentivos à indústria e proteção aos dados de pesquisa.
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