O Brics realiza, nesta semana, a Cúpula de Chanceleres em Nova Deli, na Índia, antecipando o encontro de chefes de Estado. O objetivo é discutir temas de segurança internacional, incluindo conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. A reunião ocorre em um momento de tensões entre membros do bloco.
Durante as sessões, o Irã acusou os Emirados Árabes Unidos de estarem diretamente envolvidos em ataques recentes contra o Irã. Abu Dhabi foi representada no encontro pelo vice-ministro Khalifa Shaheen Al Marar, já que o chanceler Emirati não viajou à Índia. A fala iraniana elevou a tensão entre dois parceiros do Brics.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi explicou em conversa com a imprensa que o Irã procurou esclarecer fatos sobre a guerra no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que reclamou de tentativas de pautas externas durante a reunião. O vice-ministro Gharibabadi afirmou que o Irã reagiu diante do contexto de conflito, defendendo sua posição.
Racha nos Brics
As divergências ficaram mais evidentes pelo contexto regional envolvendo o Golfo Pérsico. O Irã tem promovido ações retaliação em resposta a ataques coordenados por EUA e Israel, que também impactaram aliados da região. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita condenaram as ações iranianas, mantendo distâncias institucionais.
No Brics, contudo, o Irã tenta obter apoio para uma condenação conjunta aos Estados Unidos e a Israel, buscando respaldo entre os membros. A iniciativa, conforme apuração, não ganhou consenso e não deve avançar na pauta do bloco.
A percepção de coesão nos Brics é ambígua: o grupo cresce com a adesão de novas potências, o que aumenta a diversidade de interesses. Entre os membros, há pontos de alinhamento, mas também diferenças que dificultam decisões coletivas em temas sensíveis.
Entre na conversa da comunidade