Dúvidas sobre a realidade militar do Irã ganham peso em relatos de inteligência não tornados públicos, que apontam que as capacidades de mísseis do país podem não ter sido tão devastadas quanto sugerido por autoridades dos EUA. A discussão se intensifica no contexto da guerra no Irã, com o cessar-fogo em vigor desde abril. Segundo as avaliações, o Irã manteria parte significativa de sua capacidade de defesa, incluindo mísseis costeiros e drones.
Confrontado por essas informações, o governo dos EUA tem apresentado leituras conflitantes sobre o alcance dos danos infligidos ao Irã. Na terça-feira, 12, o ex-presidente Donald Trump chamou as avaliações de “traição virtual” ao relatar o conteúdo de relatórios confidenciais. A declaração ocorreu em meio a debates sobre como encerrar ou não o conflito.
No período anterior, o Irã foi apontado pela imprensa internacional como capaz de sustentar operações em alto nível durante o cessar-fogo, inclusive desenterrando lançadores de mísseis. Isso ajudaria a explicar o fechamento do estreito de Ormuz e o aperto no fornecimento global de energia.
Desdobramentos e análises
Relatórios citados pela CNN Internacional indicam que o Irã manteria parte relevante de seus sistemas de defesa e não estaria totalmente incapacitado. A reportagem também aponta que o Irã poderia suportar até quatro meses de bloqueio portuário sem desestabilizar gravemente sua economia, segundo fontes da inteligência.
O The New York Times trouxe uma avaliação de que o Irã possuía “acesso operacional” a praticamente todos os locais de mísseis ao longo do Estreito de Ormuz, com exceção de três de 33 pontos. A Casa Branca não confirmou oficialmente esse quadro, mantendo a confidencialidade sobre danos de batalha.
Questionado em audiência no Senado, o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, manteve o sigilo sobre avaliações de danos e disse não poder comentar. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, repetiu a posição de não validar informações vazadas.
O governo enfatiza que o estreito permanece fechado por retaliação ao bombardeio recebido, reforçando a ideia de que as ações de Washington e as respostas de Teerã estão interligadas a cenários previstos no planejamento militar. O panorama, segundo especialistas, sugere uma leitura mais cautelosa sobre o real estado das capacidades iranianas.
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