A União Europeia avalia expandir a cobrança por emissões de carbono para voos internacionais que partem do bloco. A ideia pode elevar o custo das passagens e provocar reação de companhias aéreas e parceiros comerciais. A proposta é parte da revisão do Sistema de Comércio de Emissões, o ETS.
Atualmente, o ETS cobre apenas voos dentro da UE. A Comissão argumenta que ampliar o sistema é necessário porque iniciativas alternativas para reduzir as emissões da aviação não avançaram no ritmo desejado. A aviação representa cerca de 3% das emissões energéticas globais.
Na prática, a extensão pode aumentar o preço de voos que decolam do bloco, e estimativas indicam custo médio adicional de até 45 euros por passagem até 2030. A medida pode gerar até 17 bilhões de euros em receitas para a UE e Estados-membros.
Resposta do setor
Empresas de curto alcance, como Ryanair e easyJet, já criticam o ETS, afirmando que a regulação reduz a competitividade de viagens dentro da Europa frente a destinos fora do bloco. Dependendo da rota, a pressão é para manter tarifas competitivas.
Grandes operadoras de longa distância, como British Airways e Air France, devem resistir com mais intensidade, devido à dependência de rotas internacionais para parte significativa de seus lucros. O cenário atual de combustível elevado também aumenta o lobby contra novas regras.
Contexto e próximos passos
A ideia de estender o ETS a voos internacionais não é nova; há mais de uma década o tema ganha atenção, com adiamentos motivados por oposição de outros países. A última prorrogação do adiamento vence no fim deste ano.
Além da cobrança internacional, a Comissão Europeia analisa exigir maior detalhamento de uso de permissões de carbono e discutir o papel de créditos internacionais no desenho futuro do ETS, visando maior descarbonização.
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