Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos nesta segunda-feira (5) ao pegar uma granada lançada pela polícia em meio aos protestos contra as condições das escolas que tomaram a França. Desde a semana passada, as manifestações interrompem as aulas em centenas de colégios do país.
Segundo as autoridades, o adolescente se feriu em Lens, no norte da França. Uma fonte de um sindicato policial afirmou que ele aparentemente pegou uma granada de dispersão com bolinhas de borracha disparada pela tropa de choque, e o artefato explodiu em sua mão.
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Parte dos alunos voltou às salas de aula nesta segunda, enquanto outros mantiveram os atos em frente às escolas. Para terça-feira (6), estão previstas manifestações de maior porte.
Desde o fim de setembro, estudantes bloqueiam a entrada de centenas de escolas. Entre as reclamações estão a ausência de professores, a carga horária excessiva, as salas deterioradas e os prédios inadequados para o aumento das temperaturas.
A crise ocorre a poucos meses das eleições de 2027, que vão definir o sucessor do presidente centrista Emmanuel Macron. O governo tenta responder às reivindicações ao mesmo tempo que acusa militantes da extrema esquerda de terem se apropriado do movimento.
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Nesta segunda, a Liga dos Direitos Humanos (LDH) acusou as forças de segurança de empregar métodos desproporcionais contra os manifestantes, muitos dos quais são menores de idade.
“Vemos que, nas instruções dadas à polícia, não existe nenhuma orientação para agir com moderação, mesmo que estejam lidando com crianças”, declarou a presidente da entidade, Nathalie Tehio.
Escolas fechadas
Segundo o Ministério da Educação, mais de 400 das 3.700 escolas de ensino médio da França, chamadas de liceus, estavam total ou parcialmente fechadas na manhã desta segunda. Na região de Paris, as autoridades previam o fechamento de um terço dos 468 liceus, que atendem jovens de 15 a 17 anos.
No centro da capital, dezenas de estudantes protestaram diante de um colégio enquanto motoristas buzinavam ao passar. Alguns colegas entraram para assistir às aulas. Em frente ao liceu Turgot, no 3º distrito parisiense, um cartaz de papelão dizia “Estamos perdendo nossas aulas para dar uma a vocês”.
Em Bordeaux, no sudoeste, parte dos alunos retornou às salas, enquanto outros continuaram protestando sob a vigilância da tropa de choque.
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Diante do liceu Gustave Eiffel, manifestantes soltaram fogos de artifício na direção dos policiais, que reagiram pontualmente com gás lacrimogêneo. Ainda assim, o clima permaneceu tranquilo de modo geral, segundo repórteres da AFP.
Em Lille, no norte, manifestantes mascarados destruíram pontos de ônibus e incendiaram lixeiras, e a polícia lançou gás lacrimogêneo contra o grupo.
O movimento começou em 17 de setembro, em um liceu de Créteil, na região metropolitana de Paris, em apoio a professores em greve contra a falta de pessoal e de recursos.
Depois, a mobilização ganhou força e se espalhou pelo país, por vezes com episódios de vandalismo, como a destruição de pontos de ônibus, incêndios em entradas de escolas e confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
De acordo com o ministro da Educação, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas desde o início dos protestos. Mais de 5 mil pessoas foram detidas, 85% delas menores de idade.
Os manifestantes também acusam a polícia de uso excessivo da força. Ao menos três casos de suposta violência policial são alvo de investigações internas.
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Resposta do governo
No domingo (4), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou um cronograma que pede às autoridades locais prioridade no preenchimento das vagas deixadas por afastamentos prolongados de professores e por cargos não ocupados.
Ele também convocou para terça uma reunião com os presidentes das regiões para discutir a reforma dos prédios escolares, muitos deles em mau estado de conservação.
O governo ainda defende um projeto de lei que obrigaria os responsáveis por danos ao patrimônio público a pagar pelos reparos do próprio bolso, em vez de usar verba pública. A porta-voz do Executivo, Maud Bregeon, saiu em defesa da proposta.
“Quando você tem jovens de 14, 15, 16 anos que, às 9h da manhã, estão queimando pontos de ônibus ou, talvez ainda mais grave, o liceu onde estudam, isso levanta a questão da responsabilidade dos pais“, afirmou à emissora Europe1/CNews.
Segundo Lecornu, o texto pode permitir que as indenizações sejam descontadas de auxílios familiares e de benefícios de moradia, desde que seja preservado um piso mínimo de renda.
Sophie Binet, líder da CGT, principal central sindical do país, criticou o que chamou de “anúncio populista”, que, segundo ela, “vai acabar atingindo as famílias mais vulneráveis”.
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