Desde a redemocratização, em 1985, poucos presidentes brasileiros demonstraram fluência em inglês em discursos oficiais. Entre eles, FHC é apontado como o caso mais destacado, com menção honrosa a Collor em registros históricos.
Há registros de José Sarney discursando em inglês durante visita à Casa Branca, em 1986, iniciando o pronunciamento com a própria leitura do texto. A pronúncia, porém, foi vista como pouco natural. Dilma Rousseff também recorre a falas lidas em outro idioma, com falhas perceptíveis na fala espontânea. Lula reagiu a pergunta em inglês em Washington, dizendo que não entendi seria demais. Bolsonaro já reconheceu não dominar o idioma. Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek também não tinham proficiência nesse idioma.
No cenário regional, o inglês aparece com mais naturalidade em países vizinhos. No Peru, ex-presidentes como Pedro Pablo Kuczynski e Alejandro Toledo tiveram contato frequente com o inglês. No Equador, líderes do Executivo no século 21, incluindo Guillermo Lasso e Daniel Noboa, possuem formação que inclui cursos no exterior. Macri, na Argentina, discursou em inglês em diversas ocasiões. Colômbia com Santos, Duque e Uribe contou com formação em grandes universidades americanas.
No Brasil, a proficiência em inglês não é tradição entre líderes. Recentemente, o chefe da Apex Brasil, Jorge Viana, alterou o estatuto do órgão para retirar a exigência de fluência em inglês para o cargo, tendo já sido afastado por não cumprir o requisito. Ele afirmou publicamente que, para sua função, o inglês é útil, mas não indispensável.
Contexto educacional e regional
A baixa fluência pode impactar negociações internacionais, uma vez que o inglês é língua comum na diplomacia global. No Brasil, dados de avaliações internacionais indicam que a proficiência entre a população é baixa, com cerca de 5% tendo algum conhecimento e apenas 1% fluente. A posição regional classifica o país entre os mais baixos da América Latina em proficiência.
Perspectivas de especialistas
Especialistas destacam que o inglês funciona como capital simbólico, abrindo portas para oportunidades acadêmicas e negociações internacionais. Contudo, a proficiência não deve ser o único critério para avaliar liderança, cuja atuação envolve capacidades diplomáticas, visão estratégica e representação dos interesses nacionais.
Futuro da diplomacia brasileira
Para a diplomacia econômica e as relações multilaterais, o domínio básico do inglês é considerado importante, especialmente em contextos de negociações internacionais e participação em redes globais. Ainda assim, intérpretes permanecem relevantes em discursos oficiais e na formalização de acordos.
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