Em meio às negociações entre EUA e Irã, surge um tema que domina o noticiário: os Acordos de Abraão, intermediados por Washington, que normalizam relações entre países árabes e Israel sem garantias sobre um Estado palestino. Nesta semana, o ex-presidente Donald Trump pressionou nações da região a assinar o pacto, vinculando o tema às conversas com Teerã.
Os Acordos de Abraão foram selados em setembro de 2020, na Casa Branca, inicialmente entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, com Sudão e Marrocos aderindo posteriormente. Assinaram-se acordos que facilitaram comércio, cooperação tecnológica e intercâmbio diplomático, sem avanços sobre a criação de um Estado palestino.
O papel de cada signatário varia. Israel viu o fim do isolamento regional e abriu portas para mercados e tecnologia. Os Emirados obtiveram autorização para aquisição de caças F-35 e drones, ampliando capacidade de defesa. Bahrein busca equilíbrio regional para reduzir riscos à monarquia.
Marrocos garantiu reconhecimento de Saara Ocidental, enquanto o Sudão foi agraciado com a possibilidade de sair da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo, facilitando empréstimos do FMI. Esses elementos mostraram os benefícios econômicos e estratégicos buscados pelos EUA.
Entre os países ainda em aberto, a Arábia Saudita surge como prioridade na diplomacia norte-americana. A assinatura exigiria recompensas de defesa e segurança, além de um alinhamento político que hoje é sensível no mundo árabe. O Catar também entra no radar devido a vínculos com grupos ligados ao Irã.
Paquistão é citado como possibilidade, mas enfrenta resistência interna, descontentamento popular e tensões com Israel. A adesão poderia complicar sua relação com a China, por questões econômicas e estratégicas. A viabilidade depende de fatores internos e externo.
Ao mencionar a adesão do Irã, Trump sinalizou a possibilidade de inclusão do país. Analistas lembram que os Acordos de Abraão foram criados para conter a influência iraniana, tornando improvável a entrada de Teerã no bloco. Especialistas destacam paradoxo estratégico dessa ideia.
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