Moscou intensificou o tom de suas ameaças contra a Ucrânia, avisando sobre ataques “consistentes e sistemáticos” em Kyiv voltados ao complexo militar industrial. Também orientou cidadãos estrangeiros e funcionários diplomáticos a abandonar a cidade o quanto antes. As mensagens chegaram após ataques recentes e uma ofensiva de drones e mísseis.
Essa retórica, porém, não representa novidade absoluta. A Embaixada da Ucrânia relata que, ao longo de mais de quatro anos de conflito, cidades ucranianas têm sido alvo de ataques semanais. Embora a gravidade tenha aumentado, a agência diplomática ressalta que o nível de ameaça permanece similar ao observado anteriormente.
O que houve de diferente, segundo analistas, é a justificativa usada pelo Kremlin para tais ataques, associando-os a um incidente específico envolvendo a cidade de Starobilsk, na província de Luhansk, onde a Rússia afirma ter ocorrido a morte de 21 estudantes. Kyiv sustenta que atingiu uma instalação militar em território ocupado pela Rússia.
Moscou tenta apresentar o episódio como retaliação legítima a um ataque contra civis. Para alguns especialistas, a mudança de narrativa indica dificuldade de controlar o enredo da guerra, especialmente diante de dificuldades econômicas e de mobilização interna. Outros veem, ainda, que a escalada busca pressionar Kyiv e seus aliados.
Concomitantemente, a Ucrânia destaca dificuldades para proteger o território e sustentar defesas aéreas. O desgaste militar é citado por analistas como indicativo de desequilíbrio entre perdas e avanços russos, ao menos no cenário momentâneo, com perdas de vergalhões humanos que superam recrutamentos mensais nos últimos meses.
O Institute for the Study of War, com sede em Washington, aponta que o conflito parece favorecer, por ora, as forças ucranianas, destacando quedas de desempenho russo e maior pressão sobre o aparato industrial e logístico de Moscou. Especialistas ressaltam a possibilidade de uma mobilização ampla caso a situação se agrave.
No território ucraniano, Kyiv permanece sob risco de ataques com drones e mísseis. No fim de semana, a capital enfrentou quase 600 drones e 90 mísseis, dos quais a maioria foi interceptada, mas 35 atingiram alvos. Houve uso relevante de mísseis hipersônicos Oreshnik, que trazem desafio extra às defesas.
As autoridades ucranianas destacam a necessidade de reforçar sistemas de defesa. O porta-voz da Força Aérea, Yurii Inhat, cita a limitação de mísseis interceptores disponíveis. Os Patriot, de origem americana, aparecem como a principal barreira contra mísseis de maior alcance, mas estão em número restrito.
Diante do cenário, Kyiv continua buscando apoio de aliados para ampliar a defesa aérea e dissuadir novas ações russas. A avaliação de analistas é que o Kremlin pode continuar a explorar retórica bélica para compensar dificuldades estratégicas, sem indicar mudança decisiva na direção do conflito. A situação permanece tensa e de difícil prognóstico.
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