O acesso à internet na Iran voltou parcialmente, ampliando o contato com informações internacionais e reacendendo debates sobre a inflação de alimentos. Dados oficiais mostram aumentos expressivos de preços de itens básicos, como óleo de cozinha, frango e arroz. A restauração ocorreu após semanas de interrupção associadas a tensões regionais. A população respondeu com relatos de dificuldade para manter o orçamento familiar.
O governo informou que retomou parte da conexão global na terça-feira, com a internet móvel ainda instável na maioria das áreas. Mesmo assim, o retorno parcial permitiu aos cidadãos compartilhar relatos de escassez e de aumentos contínuos nos preços, além de críticas sobre o custo de vida.
Paralelamente, o presidente Masoud Pezeshkian condicionou a retomada a pressões externas, atribuindo parte dos problemas econômicos a ações dos Estados Unidos. O ministério de Inteligência alertou para o risco de uso da internet para “guerra cognitiva” por adversários, visando estimular protestos.
Medidas e contexto econômico
Foi anunciado o lançamento de um comitê de economia de resistência para coibir abusos de preço e lidar com a escassez. O país enfrenta inflação alta influenciada por sanções, pressão cambial e cortes de subsídios a comerciantes. O FMI aponta inflação alimentar de 140% a 200%, elevando a inflação geral entre 60% e 70%.
O apoio a manter as restrições de internet ficou baixo em pesquisas recentes, estimado em cerca de 9%. Autoridades buscam equilibrar segurança pública com a necessidade de comunicação externa, segundo relatos oficiais.
Atividades da oposição e da sociedade civil ganharam espaço online em meio ao retorno gradual, com organizações de direitos humanos destacando que pessoas continuam a sofrer perdas e destruição durante períodos de indisponibilidade de redes. Acesso ampliado é visto por muitos como crucial para obter informações sobre preços e serviços públicos.
Vozes de artistas e ativistas reforçam o direito à conectividade. Um rapper de destaque na cena iraniana afirmou que a internet não é um favor, mas um direito, ligado à liberdade de expressão. Diversas vozes pedem mecanismos estáveis de acesso para monitorar e questionar políticas econômicas.
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