O surto de Ebola na República Democrática do Congo ganha contornos graves à medida que o conflito no leste do país compromete a resposta sanitária. Organizações internacionais alertam para a “mistura catastrófica” de doença e violência. A proliferação de ataques às unidades de saúde dificulta o rastreamento de casos.
Segundo o chefe da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o epicentro do surto está na província de Ituri, onde a violência e o deslocamento de pessoas superam a capacidade de atuação dos serviços. A região está sob regime militar desde 2021.
Tedros afirmou, em rede social, que não é possível construir confiança nem isolar pacientes enquanto bombas caem. Ele sinalizou reuniões para ampliar o acesso humanitário e endurecer as medidas de contenção. O diretor chegará à República Democrática do Congo para liderar essa ampliação.
Até agora, o país registra 220 mortes suspeitas relacionadas ao surto. Apenas 17 óbitos foram confirmados por testes laboratoriais. A confirmação de casos permanece complexa diante das condições de segurança e infraestrutura frágil.
Ituri concentra a maioria dos casos. O transporte precário, estradas danificadas e deslocamentos em massa dificultam a atuação de equipes de saúde. Além disso, cortes na ajuda internacional agravam a fragilidade do sistema de saúde local.
A OMS e parceiros humanitários destacam que interromper a transmissão depende do acesso humano seguro. Enquanto isso, a operação de rastreamento de contatos enfrenta obstáculos. Trabalhadores de linha de frente continuam expostos a riscos.
A doença em foco é uma variante rara de Ebola chamada Bundibugyo, para a qual não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados. Esforços de vigilância, diagnóstico e isolamento são prioridade, apesar das dificuldades.
Organizações humanitárias informam que cerca de mil pessoas apresentam sintomas compatíveis com Ebola. Entre os desafios estão a retomada de testes, a distribuição de materiais e o apoio logístico nas áreas de maior vulnerabilidade.
Especialistas ressaltam que a crise exige coordenação internacional robusta. O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças informou que aumentaria sua presença no terreno, com apoio de uma força-tarefa da União Europeia.
Entre na conversa da comunidade