O conselheiro de assuntos internacionais do governo Lula, Celso Amorim, criticou a designação dos grupos CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A declaração ocorreu em meio a debates sobre cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Amorim afirmou que a cooperação é bem-vinda para temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas, mas rejeitou o uso de pretextos para intervenção estrangeira no Brasil. A posição foi divulgada após a divulgação da decisão norte‑americana, neste fim de semana, referente a ações vistas como um distanciamento do Brasil de políticas de segurança pública.
A medida dos EUA foi anunciada na quinta-feira, após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump, em Washington, com participação de outros representantes do governo americano. Entre os presentes estavam Marco Rubio, do Departamento de Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.
Rubio enfatizou, em postagem nas redes sociais, que as organizações citadas representam grande risco para a região e para os interesses de segurança nacional dos EUA, afirmando que o governo americano manterá ferramentas para impedir o financiamento dessas redes criminosas.
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral, questionou publicamente se a classificação poderia ser aplicada a outras estruturas criminosas no Brasil, sugerindo que a discussão envolve aspectos políticos além da criminalidade. A resposta oficial envolve nuances entre legislação brasileira e o entendimento internacional sobre terrorismo.
Entenda o impacto
A designação passa a criminalizar qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento financeiro das organizações mencionadas. Segundo o governo americano, integrantes pode não entrar no território dos EUA e, se presentes, podem ser expulsos.
Bancos norte‑americanos ficariam obrigados a bloquear fundos e reportar atividades relacionadas a esses grupos. O Brasil discorda da denominação, que no país costuma ser aplicada apenas a atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social.
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