O governo teme impactos indiretos nos bancos brasileiros após os Estados Unidos classificarem o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. Planalto evita o enquadramento e avalia consequências econômicas e tensão com Washington.
Antes do anúncio formal feito pelo Departamento de Estado na quinta-feira (28), Brasília já discutia a medida com cautela. interlocutores dizem que a classificação pode ampliar frentes de preocupação além da segurança pública.
A avaliação interna é de que a medida pode afetar instituições financeiras, além de levantar questões sobre soberania, diante da atuação internacional dos EUA no combate a grupos classificados como terroristas. Celso Amorim reforçou a posição do governo.
Divergência diplomática
A resistência brasileira ao enquadramento foi comunicada aos EUA ainda antes da decisão. Em março, o ministro Mauro Vieira telefonou ao secretário de Estado Marco Rubio para tratar do tema.
Mais tarde, reuniões em Brasília com representantes do Departamento de Estado, liderados por David Gamble, foram realizadas para discutir o assunto. O argumento central é jurídico: PCC e CV não se enquadram no conceito nacional de terrorismo.
Efeitos econômicos previstos
Além da divergência conceitual, o Planalto monitora impactos no sistema financeiro. Sanções previstas pela classificação podem incluir congelamento de ativos, restrições migratórias e punições a quem prestar apoio aos grupos.
Há receio de que o alcance extraterritorial das sanções crie dificuldades para bancos e empresas brasileiras com relações comerciais envolvendo membros ou negócios vinculados às facções.
Com a decisão formal, a partir de 5 de junho PCC e CV passam a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras dos EUA.
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