Cumaná, que já foi polo industrial da Venezuela, vive hoje um cenário de escassez de água, apagões frequentes e infraestrutura deteriorada. A cidade litorânea, antes marco da indústria pesqueira e de peças como o Land Cruiser da Toyota, enfrenta o colapso dos serviços públicos e queda econômica.
O que aconteceu envolve o colapso de abastecimento, falhas de eletricidade e saque de bens públicos e privados. A situação é consequência de décadas de gestão econômica centralizada, inflação alta e de políticas que afetaram o setor industrial local.
Ainda não há sinal de recuperação, e as condições de vida na cidade divergem da capital Caracas, que busca uma recuperação isolada. Na prática, Cumaná convive com interrupções no fornecimento de água, apagões diários e redução de produção em várias indústrias.
Escassez de água e presença do Estado
Um deslizamento num túnel de um reservatório interrompeu o abastecimento em fevereiro, levando a um racionamento severo. Moradores recorrem a caminhões-pipa, com preços de água a até US$ 8 por garrafa de 20 litros.
Caminhões públicos e privados disputam a distribuição, enquanto comércios fecham e escolas suspendem aulas por falta de saneamento. O governo oferece subsídio mensal de cerca de US$ 240, mas ainda não estabiliza a demanda.
Soldados com armas patrulham pontos de distribuição para evitar conflitos, e moradores buscam alternativas em pontos de coleta ou poços improvisados. A água permanece o recurso mais crítico da cidade.
Uma universidade saqueada
Antes um centro de pesquisa marinha de destaque, a Universidade do Oriente de Cumaná hoje está em ruínas. Ao longo dos últimos anos, centros de protesto e retaliações contribuíram para depredação e saques de cobre, aço e equipamentos.
Projetos de construção vêm sendo afetados pela falta de recursos e pela insegurança, com prédios danificados por incêndios e ataques de drones. O campus abriga apenas cerca de 2 mil estudantes, que estudam em estruturas improvisadas.
A crise na educação e na água aponta para um quadro maior de deterioração de serviços básicos na cidade, que mantém o título de a área mais antiga continuamente habitada por europeus na América do Sul, anterior a Caracas por décadas.
Entre na conversa da comunidade