Ameer Al-Khatahtbeh, aos 27 anos, criou o perfil @Muslim para apresentar notícias centradas na comunidade islâmica. Hoje ele acumula mais de 12 milhões de seguidores em diversas plataformas, com 6,7 milhões apenas no Instagram. Ele já entrevistou figuras como Zohran Mamdani, Riz Ahmed, Mo Amer e Motaz Azaiza.
O projeto nasceu durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando ele estudava na Rutgers University. Ao observar o impacto da proibição de muçulmanes, percebeu a falta de espaços para falar sobre notícias relevantes ao público muçulmano e criou o espaço de mídia.
Desde então, Al-Khatahtbeh diz dedicar até 13 horas por dia ao conteúdo. A ideia é tornar as informações digestíveis para leitores de diferentes faixas etárias, mantendo o formato shareable e ágil, similar ao estilo de veículos como Vice News.
Crescimento e formato
O crescimento ocorreu rapidamente a partir de 2019, com a sequência de pandemia de Covid fortalecendo a presença online. Em 2020, @Muslim já somava cerca de 250 mil seguidores, expandindo para 14 milhões no conjunto das plataformas.
A curadoria envolve conteúdos sobre notícias globais com foco em Palestina, Sudão, Líbano e Síria, entre outros temas sensíveis. A estratégia incluiu conteúdos conversacionais sobre temas culturais e direitos, mantendo o público informado com visão muçulmana.
Trabalho é essencial: Ameer publica a maior parte do conteúdo sozinha, com apoio de Tuba no TikTok e de freelancers para estratégia digital. O modelo é descrito como enxuto e contratual, sem grande estrutura institucional.
Desafios e censuras
Desde outubro de 2023, a audiência cresceu, mas o alcance em países específicos enfrentou barreiras. Em maio de 2025, o perfil foi banido na Índia, o que interrompeu o crescimento naquele mercado e afetou a visibilidade global.
A empresa Meta confirmou que pode restringir conteúdo mediante ordens legais locais, mas não comentou casos específicos de @Muslim. O bloqueio na Índia reduziu o crescimento mensal da página e dificultou o alcance de milhões de seguidores.
Al-Khatahtbeh descreve a situação como um precedente perigoso. Ele relata dificuldade em obter informações sobre ordens legais e ressalta que a restrição exige vigilância constante para manter a cobertura de notícias relevantes aos muçulmanos em várias regiões.
Entre na conversa da comunidade