O Estreito de Hormuz continua no centro de uma crise que já dura meses. Cerca de 20 mil marinheiros permanecem presos na região, e cerca de 1,6 mil navios estão bloqueados ou à deriva, dificultando o tráfego de petróleo e gás pelo golfo. A situação começou a piorar no fim de fevereiro, com a escalada de confrontos entre EUA, Israel e Irã.
Explosões, minas e ataques aéreos tornaram o entorno do estreito perigoso. O Irã fechou a passagem e condicionou a liberação de embarcações à sua aprovação. Mesmo navios que tentaram passar foram impedidos, encerrando a maior rota comercial do mundo.
Muitos tripulantes relatam tensão constante a bordo e dificuldades para conseguir água e alimento. O preço da água disparou e os estoques alimentares se tornaram menos previsíveis, elevando o custo de suprimentos para os navios presos no Golfo.
Situação de vida a bordo
Os navios permanecem em áreas próximas ao Golfo, sem autorização para deixar a área. Há relatos de ataques perto de Dubai e de navios que chegaram a ficar a poucos quilômetros de portos estratégicos. Os trabalhadores descrevem noites de sirenes e luzes de radares que dificultam o sono.
Entre os que tentaram sair, o Banglar Joyjatra, de Bangladesh, ficou perto de Jebel Ali, Dubai, no início do conflito. A tripulação de 30 enfrentou repetidos avisos de ataques e precisou recuar ao se aproximar de áreas visadas.
A escassez de itens básicos aumenta. O engenheiro chefe Rashedul Hasan afirma que o custo de água subiu consideravelmente nos últimos dias, com aumentos acima de cinco vezes o preço anterior. A alimentação continua disponível, mas nem todos os itens chegam com a regularidade anterior.
Caminhos possíveis e diplomacia
Somente cerca de 750 navios já conseguiram atravessar o estreito desde 28 de fevereiro, segundo dados de firmas de monitoramento. A maioria saiu mediante acordos diplomáticos com o Irã ou pagamento de taxas, conforme analistas.
O governo de Bangladesh trabalha para liberar o Banglar Joyjatra, com apoio da Bangladesh Shipping Corporation. No entanto, a estratégia diplomática enfrenta resistências, incluindo possíveis sanções dos EUA para qualquer pagamento de pedágio. As ações seguem sem previsão de sucesso imediato.
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