O pastor Pavel Shreider, de 66 anos, foi deportado do Quirguistão pela polícia secreta, após meses de grave deterioração de saúde enquanto estava sob custódia do estado. A ação ocorreu no dia 9 de abril, conforme apuração do Fórum 18. O país proibiu sua entrada e o removou da fronteira terrestre.
Segundo apuração, Shreider era membro da Igreja Adventista da Reforma Verdadeira e Livre. A esposa dele, Nelya, acompanhou o retorno ao país de origem, já que o pastor nasceu no Quirguistão e possuía passaporte russo. Testemunhas disseram que não houve documentação formal de deportação ou marcação no passaporte.
O Fórum 18 afirmou que o CSN, órgão de segurança do Quirguistão, se recusou a comentar a deportação em 26 de maio. Shreider havia sido detido em novembro de 2024, quando a polícia invadiu a residência dele e de outros membros da igreja em Bishkek. As autoridades prisionais o libertaram em março, após comutação da pena.
A comutação reduziu a pena de três anos para uma multa equivalente a três meses de salário. Na sequência, o pastor recebeu ordem de liberação e pagamento da multa, porém houve atraso para a devida transferência. A família relatou que houve demora na transferência para uma unidade médica de segurança máxima, em setembro.
Relatos da família indicam que Shreider desenvolveu encefalopatia, com diagnóstico de lesão cerebral traumática. Em setembro, a família pediu tratamento médico adequado. A transferência para a unidade médica só ocorreu cerca de duas semanas depois da solicitação.
Do lado institucional, a defesa do pastor alega que as acusações contra ele seriam fabricadas, apontando start de perseguição. Além disso, há relatos de violência durante interrogatórios, embora as autoridades tenham negado abusos. Tais relatos ganharam repercussão internacional.
A ONU também acompanhou o caso, com cinco relatores especiais questionando prisões, detenções e suposta tortura que atingiram Shreider e outros membros da igreja. Houve menção a agressões físicas, uso de armas de choque e tentativas de forçar confissões.
A notícia de deportação reforça críticas aos abusos de direitos humanos no país e à atuação de órgãos de segurança. Mesmo com a busca por asilo em outra nação, Shreider mantém desejo de retornar ao Quirguistão, onde nasceu, caso haja condições seguras para permanecer.
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