Jamshid Ghomi, empresário de dupla nacionalidade, foi preso na Califórnia, nos EUA, acusado de violar sanções ao Irã ao fornecer tecnologia dos EUA a entidades ligadas ao programa nuclear e militar iraniano. A prisão ocorreu na quarta-feira (3).
A acusação federal o envolve pela suposta conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Ghomi é fundador e CEO da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd., empresa de redes sediada em Teerã. A denúncia aponta envio de tecnologia sem autorização.
Segundo o Departamento de Justiça, Ghomi adquiriu equipamentos de rede, segurança e criptografia de origem americana para clientes iranianos, incluindo a Organização de Energia Atômica do Irã e outras entidades sancionadas. A denúncia cita mais de 400 compras entre 2011 e 2015.
Entre 2014 e 2018, a acusação afirma envio clandestino de mais de 250 toneladas de equipamentos para o Irã, com uso de fachadas empresariais e intermediários em Dubai para ocultar o destino final. Contas próprias em plataformas como eBay e PayPal teriam sido usadas.
A investigação aponta ocultação de participação de Ghomi, com orientação a cúmplices nos Emirados Árabes Unidos para retirar seu nome de documentos e esconder origem dos aparelhos. A operação seria realizada sem autorização do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros.
A Faraz Pardaz Rayaneh teria faturamento anual acima de US$ 10 milhões e atendia centenas de clientes iranianos, incluindo órgãos sancionados. Parte das vendas supostamente destinou-se ao aparato nuclear e militar do Irã entre 2017 e 2023.
Entre 2014 e 2022, a empresa também teria fornecido equipamentos de rede, segurança e criptografia ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã e a entidades ligadas ao órgão. A denúncia detalha tais transações.
Pelo relato, Ghomi também é acusado de lavar mais de US$ 15 milhões do Irã para contas nos EUA e para uma conta usada na construção de uma mansão em Newport Beach, Califórnia. O empresário teria declarado falsamente os recursos como herança estrangeira.
Procuradores pedem a confiscação de bens, incluindo a mansão de Newport Beach, avaliada em US$ 35 milhões. Parte da construção teria sido financiada por recursos oriundos do esquema de violação de sanções. Ghomi deve comparecer à Justiça Federal em Santa Ana, na Califórnia.
Se condenado, o réu pode receber pena máxima de 20 anos de prisão. A defesa ainda não apresentou posição pública sobre a acusação.
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