Ontem, 3 de junho de 2026, Portugal viveu uma segunda greve geral em seis meses, contra o pacote de reforma trabalhista do governo de centro-direita. A paralisação atingiu serviços públicos e setores estratégicos, com impactos significativos em transportes, educação e saúde.
Os sindicatos, liderados pela CGTP, dizem que a reforma pretende flexibilizar jornadas, facilitar demissões por justa causa e ampliar a terceirização, reduzindo proteções aos trabalhadores. O governo sustenta que as mudanças visam aumentar produtividade e estimular o crescimento econômico.
A paralisação foi nacional, com descontinuações acentuadas no transporte. A CP suspendeu trens de longa distância e a maior parte dos serviços regionais; o metro de Lisboa interrompeu operações. Escolas fecharam em todo o país por falta de funcionários.
No setor aéreo, a TAP afirmou operar apenas 79 dos mais de 300 voos diários habituais, enquanto a espanhola Iberia divulgou queda entre 50% e 75% de operações. Hospitais adiaram cirurgias e consultas, acompanhando a ausência de profissionais de enfermagem.
Segundo relatos de trabalhadores, a reforma pode ampliar a precarização de contratos e favorecer a substituição por mão de obra terceirizada. Jovens trabalhadores seriam favorecidos por contratos com menos garantias, de acordo com sindicalistas e especialistas.
O governo não detalhou mudanças adicionais além das previstas no projeto, que deve alterar mais de 100 artigos do Código do Trabalho. A medida busca, segundo autoridades, simplificar regras e tornar o ambiente empresarial mais competitivo.
A greve anterior, em dezembro, foi a primeira paralisação geral desde os protestos de 2013 contra medidas de austeridade. A atual mobilização marca um novo momento de tensão entre governo e trabalhadores, com desdobramentos para o clima social e para a agenda econômica do país.
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