Jeff Widener, fotógrafo da Associated Press, relembra a iconicidade da foto do Homem do Tanque, capturada durante o massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989. A imagem mostra um manifestante desafiando uma coluna de blindados, registrada na noite de 4 para 5 de junho.
Widener estava em Beijing durante a repressão. Na noite de 4 de junho ele foi atingido por uma pedrada de demonstrante, sofreu uma concussão e, no dia seguinte, ouviu o barulho dos tanques na avenida que leva à praça. A experiência moldou seu relato fotográfico.
Ao longo da manhã de 5 de junho, o repórter viu o tanque se aproximar e decidiu registrar a cena. Com a ajuda de um estudante americano, conseguiu acesso ao Hotel Beijing, que tinha visão direta da praça ocupada, e utilizou uma teleconversor para aproximar o alvo com maior nitidez.
Diante da dificuldade de obter filme, Widener contou que solicitou apoio a um turista para conseguir rolos adicionais. Mesmo com contratempos, ele conseguiu fotografar o homem na frente dos tanques com a exposição correta, salvando a imagem de forma surpreendente.
Para a edição, Widener explicou que ajustou a câmera para compensar a sensibilidade do filme. A foto, feita com uma Nikon FE 2, acabou funcionando apesar da configuração desafiadora, o que ele descreve como um milagre técnico.
Sobre as consequências, o fotógrafo diz que não sabia o destino do homem que interrompeu a coluna de blindados. Ele descreve o momento como tenso e perigoso, com o Exército Popular de Libertação abrindo fogo e o autor da foto sob pressão.
A repercussão internacional da imagem foi imediata. Widener recebeu reconhecimento ao longo dos anos, incluindo menções em transmissões da BBC. O episódio também contribuiu para consolidar o valor histórico de sua foto, ao lado de outras imagens marcantes do período.
Widener recorda ainda o clima de medo e a diversidade de percepções na época, entre ataques de tiros, explosões e o clamor por democracia. Ele ressalta que a foto não registrou corpos, mas a atmosfera tensa que envolveu os dias de junho em Tiananmen.
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