Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Palestinos forçados a demolir casas para parque temático bíblico em Israel

Sob ordens judiciais, famílias palestinas em Jerusalém Oriental enfrentam demolições para abrir espaço a parque temático bíblico, com taxas abusivas como alternativa

Crianças ajudam a demolir imóvel em área de Jerusalém Oriental destinada a virar parque temático bíblico em Israel
0:00
Carregando...
0:00

Em Jerusalém Oriental, famílias palestinas recebem ordens judiciais para demolir suas casas ou pagar taxas elevadas ao Estado para que os imóveis sejam derrubados pela prefeitura. O objetivo alegado é abrir espaço para um parque temático bíblico na região de al-Bustan, perto da Cidade Antiga.

O caso de Qutaibah Odeh, 32 anos, ilustra o cenário: após a demolição da casa do irmão em junho, a família recebeu uma cobrança equivalente a cerca de 80 mil reais pelos custos com tratores e funcionários. Em julho, o pai de família terá de decidir entre pagar a taxa ou demolir ele mesmo a construção.

Ao longo dos últimos meses, mais famílias passaram pela mesma dificuldade. A escalada de demolições ocorreu desde o início do conflito com o Hamas, em outubro de 2023, intensificando-se nos últimos dois anos. Odeh lidera uma associação de moradores que contesta as demolições.

O governo de Israel alega que as residências foram erguidas sem autorização administrativa e sustenta que o parque temático atenderia à carência de áreas verdes e de lazer em al-Bustan. A prefeitura afirma que a regularização de construções é uma via, mas o trâmite para obter autorizações para palestinos é descrito como excessivamente burocrático.

Especialistas apontam que a política de controle urbano busca reduzir a população palestina em Jerusalém Oriental. O arquiteto Haim Yacobi explica que a burocracia dificulta a obtenção de licenças para moradias palestinas e que, segundo análises, o objetivo é modificar o perfil demográfico da área.

Segundo o professor, o tema envolve disputas históricas sobre a soberania de Jerusalém, com a cidade reivindicada por israelenses e palestinos como capital. O estudo aponta para o uso de arqueologia como argumento de políticas de desapropriação, com planos para o parque apoiados em narrativas que vinculam o local a tesouros históricos.

Além dos aspectos legais, as demolições também são apresentadas como estratégias de caráter simbólico, gerando insegurança entre moradores palestinos e reforçando a percepção de poder. Em meio a isso, Odeh afirma que não pretende desistir e que, caso a casa seja derrubada, não cederá espaço para que demolam sem resistência.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais