Dois iranianos presos em Santos em maio são investigados pelo Ministério Público Federal (MPF) por integrar uma organização criminosa com atuação internacional voltada ao tráfico de cocaína para o Oriente Médio, principalmente para Dubai. A carga, de cerca de 180 kg, estava escondida em sacos de café dentro de um galpão, com destino declarado a Dubai.
A ação apontou que a droga estava dividida em 178 tabletes, ocultos entre itens de uso lícito e mercadorias diversas. O Gaeco, braço do Ministério Público, descreve a organização como estruturada para remeter narcóticos em larga escala entre continentes, mostrando operabilidade e planejamento.
Saeid Sabouri, 52 anos, e Nima Kenareifard, 25, foram detidos em flagrante no dia 12 de maio no local onde a carga era armazenada. A Justiça Federal manteve as prisões preventivas nesta semana após rejeitar pedidos de liberdade. O caso tramita na 5ª Vara Federal Criminal de Santos, em fase de inquérito policial.
Investigação e continuidade do processo
A apuração começou com uma investigação do Deinter-6, que apurava ligações entre o Brasil e o Oriente Médio voltadas ao tráfico internacional. A polícia identificou indícios de que o embarque deveria ocorrer para Dubai, com armazenamento de cocaína em um galpão de Santos.
A abertura do galpão para inspeção revelou sacos de café, tonéis e caixas com itens de beleza, segundo o boletim de ocorrência. A diferença de peso levou à abertura de todas as sacas, revelando os 178 tabletes de cocaína. As perícias confirmaram a droga em análise preliminar.
Sabouri foi apresentado à polícia com direito ao silêncio. Kenareifard inicialmente se apresentou como intérprete e compatriota, também optando pelo silêncio ao longo da apuração. Ambos possuem contatos com o responsável pelo galpão, segundo relatos da polícia.
Circunstâncias processuais e defesa
O MPF reiterou que o caso envolve contexto de criminalidade organizada com atuação transnacional e argumentou pela continuidade da custódia preventiva. Defesas pediram a revogação da prisão ou medidas cautelares alternativas, como monitoramento eletrônico.
A Justiça Federal manteve as prisões preventivas com base no volume da droga, no modo de ocultação e na rota internacional prevista. Também foi destacada a ausência de vínculos locais dos suspeitos como fator de risco de evasão para o exterior.
Os advogados também contestaram a escolha de língua na audiência de custódia e defenderam que Sabouri possui residência estável em Santos e regularidade migratória até julho de 2026. Kenareifard alegou residência há mais de seis anos no Brasil, atuando como intérprete.
Situação atual e próximos passos
Os dois permanecem detidos no Centro de Detenção Provisória de São Vicente. O inquérito policial, conduzido pela Delegacia da Polícia Federal de Santos, segue em andamento para esclarecer a estrutura da organização e a logística da remessa para Dubai.
O MPF, em manifestação conjunta de cinco procuradores, reforça a acusação de crime organizado com atuação transnacional e sustenta que a natureza da operação eleva o patamar do delito além de simples tráfico varejista. As defesas mantêm as acusações e seguem apresentando recursos.
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