Katrin Glatz Brubakk, psicoterapeuta infantil da organização Médicos Sem Fronteiras, atua em Gaza para apoiar crianças que sofreram traumas capazes de provocar danos cerebrais permanentes. Seu trabalho busca compreender como o sofrimento intenso afeta linguagem, desenvolvimento e funcionamento do cérebro infantil.
Adam era um menino ativo e comunicativo. Aos 5 anos, após a violência em Gaza, passou a não interagir com o mundo ao redor. Em meio a ataques frequentes, muitos menores vivem em condições que limitam o desenvolvimento e a comunicação.
A crise humanitária na região permanece mesmo após o cessar-fogo prometido. Brubakk aponta que mais de um milhão de crianças em Gaza foram expostas a traumas graves ao longo de dois anos de conflito, elevando o risco de impactos duradouros.
O que acontece e quem está envolvido
A equipe de MSF em Gaza acompanha crianças que perderam a capacidade de falar, oferecendo apoio psicológico e social com equipes locais e internacionais. Brubakk realizou duas visitas à região, em 2024 e 2025, para desenvolver estratégias de intervenção.
Casos relatados por profissionais locais indicam um número crescente de crianças afetadas pela interrupção do desenvolvimento da linguagem e por alterações no comportamento. O cenário é agravado pela destruição de infraestrutura de saúde e educação.
Forças em conflito e autoridades internacionais se responsabilizam por ações que dificultam a assistência humanitária. Dados oficiais indicam mortes e feridos em Gaza, com milhares de crianças entre as vítimas, em meio a combates que persistem após o anúncio do cessar-fogo.
O que a experiência de Adam revela sobre o futuro
A perda de fala em crianças com trauma pode refletir em atraso no desenvolvimento cognitivo e social. Brubakk descreve alterações no amígdala, ligada a emoções, e no córtex pré-frontal, relacionado a planejamento e regulação emocional, quando o estresse persiste.
A psicoterapeuta enfatiza que, além do tratamento direto, a criação de ambientes estáveis, retorno à escola e rotinas seguras é essencial para a recuperação. Pequenos gestos de apoio ajudam a reconstruir a confiança das crianças.
O caminho para a recuperação
Embora haja limitações logísticas, há ações de apoio que podem ser implementadas. Brubakk relata que conversas diárias com pais, mães e cuidadores ajudam a manter laços e abrir espaço para a comunicação da criança, investindo em pequenas vitórias na retomada da interação.
A médica reforça que, sem condições seguras, o progresso é lento. Contudo, mesmo diante do cenário, o cuidado contínuo de equipes locais e internacionais pode reduzir o sofrimento silencioso e estimular a reinserção social das crianças.
Contexto e próximos passos
O funcionamento do sistema de saúde em Gaza é afetado pela violência e por restrições de entrada de equipes internacionais. Brubakk manifesta a esperança de retornar a Gaza para ampliar o atendimento, destacando a importância de manter escolas, abrigos seguros e rotinas estáveis.
O sofrimento das crianças, muitas vezes invisível, exige resposta coordenada de autoridades, organizações humanitárias e da comunidade internacional para oferecer um futuro mais estável e seguro a Gaza.
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