Cerca de 2,5 milhões de armênios foram às urnas neste domingo, 7, em uma das eleições legislativas mais polarizadas dos últimos anos. O pleito ocorre em meio ao aprofundamento das relações com a União Europeia e ao aumento das tensões com a Rússia, aliada histórica do país.
O partido Contrato Cívico, de Nikol Pashinyan, registra vantagem nas pesquisas, com cerca de 30% da preferência. A votação foi realizada entre as 8h locais e não há voto no exterior, o que impede a participação da diáspora armênia.
Após votar, Pashinyan afirmou que não há decisão de saída imediata da União Econômica Eurasiática, bloco liderado pela Rússia. A adesão ou candidatura da Armênia à União Europeia não está prevista neste momento, segundo ele, que enfatizou a necessidade de reformas prévias.
As relações com Moscou ficaram mais tensas nas últimas semanas. A Rússia impôs restrições a importações agrícolas, ameaçou suspendir o fornecimento de petróleo e gás e discutiu medidas sobre a permanência da Armênia na UEE, segundo fontes oficiais.
Para ampliar sua agenda, Pashinyan busca manter a maioria parlamentar necessária para reformas constitucionais e avanços nas negociações de paz com o Azerbaijão. O acordo é visto como estratégico para abrir novos corredores de transporte no Cáucaso, apoiado pela UE e pelos EUA.
Oposição denuncia detenções
Samvel Karapetyan, empresário russo-armênio e líder da oposição Armênia Forte, acusou prisões de cerca de cem apoiadores nos últimos dias, inclusive durante a votação. O partido projeta entre 10% e 16% de intenções de voto, segundo pesquisas.
Kocharyan, ex-presidente, também figura como nome relevante de oposição, frequentemente apontado como próximo ao Kremlin. A reta final da campanha teve ainda disputas envolvendo a Igreja Apostólica Armênia e denúncias de irregularidades eleitorais.
Caso nenhuma força forme governo após a apuração, a legislação prevê segundo turno em até nove dias. O pleito ocorre em um momento de busca por equilíbrio entre a cooperação com a UE e a influência russa na região.
Perspectivas e próximos passos
A agenda de Pashinyan depende de apoio parlamentar para mudanças constitucionais e para avançar negociações de paz com o Azerbaijão. O objetivo é abrir corredores de transporte estratégicos no Cáucaso Sul, com apoio da comunidade internacional.
A votação também é acompanhada por debates sobre reformas internas, o papel da igreja e a fiscalização de práticas eleitorais. As autoridades indicam que o processo segue sob supervisão de órgãos competentes para assegurar a integridade do pleito.
*(Com informações da EFE)*
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