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Brasileira vítima de Epstein relata ameaças após denunciar

Vítimas de Epstein sofrem ameaças após denunciarem abusos; falhas do DOJ expuseram dados pessoais e ampliaram risco de intimidação

Marina Lacerda, brasileira que relatou ter sido vítima de Jeffrey Epstein
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Marina Lacerda, brasileira que afirmou ter sido abusada por Jeffrey Epstein aos 14 anos, passou a receber ameaças após tornar o caso público. Ela participou de uma coletiva em setembro pedindo a divulgação dos arquivos do caso. Em vídeos, mensagens ligadas a YouTube indicaram que ela deveria ficar quieta.

Ao longo de meses, o nome de Lacerda apareceu em documentos não editados do Departamento de Justiça dos EUA, ampliando o assédio. Nas redes e em comunidades on-line, ela foi chamada de mentirosa e explorada, enquanto a filha de 12 anos enfrentou provocações na escola.

Ameaças e dados divulgados

A Reuters identificou 23 acusadoras de Epstein que também sofreram ameaças, assédio ou intimidação. Os ataques variaram de fotografias de residências a carros parados em frente às casas, com veículos acelerando ao ser confrontados.

Algumas vítimas receberam ligações anunciando conhecimento do endereço. Diversas não saíram de casa sozinhas, em meio a relatos de violência ou intimidação. Em alguns casos, a polícia foi acionada, mas sem conclusão de processos.

Contexto dos arquivos e resposta oficial

O Departamento de Justiça informou ter tomado medidas para proteger informações sensíveis após a divulgação de milhões de páginas entre dezembro e janeiro. A instituição comentou que houve erros de redação que precisam ser corrigidos.

Pam Bondi, ex-procuradora-geral, reconheceu falhas de redação em depoimento ao Congresso. O então vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que a divulgação de nomes de vítimas não deveria ocorrer em alguns casos e que houve falhas.

Situação das vítimas e implicações

Todas as 23 mulheres citadas pela Reuters possuem registros que indicam ou apoio financeiro a ações legais. O assédio intensificou o dano relatado por elas, mantendo-as no centro de um debate público sobre responsabilização e transparência.

Alguns parlamentares, de ambos os lados, participaram de eventos para pressionar pela divulgação de mais arquivos e responsabilização de associados de Epstein. O debate permanece ativo na política estadunidense.

O caso Epstein (contexto)

Epstein já havia se declarado culpado, em 2008, por prostituição envolvendo menor de idade, em acordo que resultou em pena de prisão reduzida. Recluso novamente em 2019, ele morreu na prisão em Manhattan, em circunstâncias de suicídio.

Estimativas indicam pagamentos a centenas de vítimas por meio de fundos de indenização, com Maxwell cumprindo pena de 20 anos. A divulgação de dados pessoais de vítimas gerou críticas sobre a responsabilidade do DOJ na proteção de identidades.

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