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Casas de britânicos são tomadas por criminosos e usadas por traficantes

Centenas de imóveis são ocupados por gangues semanalmente no Reino Unido, expondo vítimas vulneráveis a abusos graves e à criminalização do cuckooing

Um traficante ocupou a casa de Jackie. Hoje, ela ajuda outras vítimas do chamado cuckooing
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O que acontece: no Reino Unido, centenas — possivelmente milhares — de casas são invadidas por criminosos semanalmente para armazenar e vender drogas. O fenômeno, conhecido como cuckooing, envolve ocupação de residências vulneráveis por gangues.

Quem está envolvido: vítimas vulneráveis, incluindo idosos e pessoas com deficiência, e traficantes que transformam imóveis em pontos de venda. Chefes de polícia e o NPCC alertam sobre casos de chantagem, violência e exploração dentro de casa.

Quando e onde: dados da polícia de Londres apontam 1.539 registros de cuckooing entre maio de 2025 e abril de 2026, com 1.275 vítimas homens. A capital aparece como eixo de um problema que se espalha pelo país.

Por que isso acontece: o cuckooing surge na prática de facilitar operações de drogas, especialmente quando as redes de traficantes ocupam imóveis para evitar detecção. A prática ainda não tem crime específico no Reino Unido, o que dificulta a contabilidade formal.

Casos emblemáticos

Jamie, 34 anos, sofreu lesão cerebral após ataque com garrafa de vidro. Gangue ocupou seu apartamento para vender drogas, roubou itens pessoais e humilhou a vítima. Ele conseguiu deixar o imóvel no início deste ano, buscando recomeçar.

Outra vítima, Jackie, relata ter sido mantida escrava dentro de casa por meses devido a uma dívida com traficantes. O ocupante segurou o espaço até que as autoridades fossem avisadas, após longos períodos de sofrimento.

Insalubridade e condições

Durante visitas a imóveis suspeitos, a BBC verificou sinais de insalubridade: lixo, portas danificadas, cheiros fortes e ambientes degradados. Em uma casa, frango cru na pia, fezes no ambiente e móveis improvisados como cama foram registrados.

Dados e percepção pública

Policiais da Polícia Metropolitana afirmam que o perfil de vítimas tende a incluir homens brancos entre 40 e 49 anos com dependência de drogas, com relatos de repetição de casos. O aumento de registros pode refletir maior conscientização e alterações na coleta de dados.

A atuação policial

Antes da tipificação do cuckooing como crime, agentes tentam enquadrar suspeitos por posse de drogas ou outras acusações. Ordens de fechamento temporário têm sido usadas para interromper ocupações, embora vítimas questionem a eficácia dessas medidas.

Perspectivas de política pública

A Lei de Crime e Policiamento de 2026 deve tornar o cuckooing crime com pena de até cinco anos. A legislação depende de orientações oficiais ao público policial antes da entrada em vigor. O governo também ampliou investimentos no Programa County Lines para enfrentar o problema.

Fontes e impactos

Estudos e relatos de vítimas sugerem que muitas passam por traumas, com receio de buscar ajuda. Pesquisadora destaca a necessidade de reconhecer vulnerabilidade como condição de vitimação, não apenas como fator de risco.

Conclusão institucional

O NPCC afirma trabalhar para aumentar a confiança das vítimas, esperando que a nova tipificação fortaleça o combate. Autoridades ressaltam que o problema é complexo e exige ações integradas de proteção, fiscalização e suporte às pessoas afetadas.

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