Malawi: mulheres camponesas rurais ganham voz, mas enfrentam dificuldades com a posse da terra. Em Chiradzulu, 60 integrantes da Rural Women’s Assembly trabalham com frutas, verduras e milho, ampliando demanda de compradores em Blantyre.
A líder Diana Sitima administra uma fazenda orgânica de 3,5 hectares. Ela lembra que, em 1993, vendia direto na cidade, enquanto hoje os clientes vão até elas; há reconhecimento pela qualidade dos alimentos.
Entre os desafios, as mulheres citam a ausência de títulos de terra e capital para investir. Como membros da RWA, elas discutem soluções em reuniões locais e com o governo, buscando avanços legais e financeiros.
Defendendo direitos e práticas agroecológicas
A RWA surgiu em 2009, após encontro de 250 mulheres de 9 países da África Austral. Hoje, a rede diz ter quase 170 mil associadas em 11 países, promovendo soberania alimentar, justiça climática e acesso à terra.
Mercia Andrews, ativista e pioneira da rede, aponta que o direito à terra para mulheres está ligado ao acesso à alimentação e à água. Ela afirma que autoridades tradicionais costumam excluir mulheres do uso da terra.
A parceria entre agroecologia e mercado orgânico permite às agricultoras cobrar prêmio por produtos sem fertilizantes sintéticos. Sitima aplica manejo com estradas de nitrogeno fixadoras e esterco, reduzindo custos com insumos.
Impactos locais e perspectivas
A organização Malawi Channel já reúne mais de 2 mil membros no país, com experiências que ajudam a ampliar técnicas de agroecologia e economia local. Sitima descreve a evolução de uma fazenda estável que fornece o ano inteiro.
Especialistas destacam que a posse de terra pode ampliar a produtividade feminina e fortalecer a segurança alimentar na região. Pesquisadores sugerem mais reformas fundiárias e apoio a lideranças tradicionais para ampliar o acesso.
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