Nigeria usa soluções locais para enfrentar o grupo de bandits que atua no norte do país. Em Kurfi, no estado de Katsina, um acordo de paz foi fechado entre moradores e facções criminosas, com resultados considerados positivos até aqui.
Dayyabu Abba-Kurfi, 60 anos, foi o mediador que estruturou o pacto entre vizinhos e os bandos que aterrorizavam a região. Ele era conhecido por sua liderança em disputas locais e, há menos de um ano, liderou a equipe de negociações aprovadas pelo governo estadual.
O acordo impõe condições claras: não haverá amnistia nem armas nas comunidades. Em contrapartida, os bandos ganham mobilidade restrita dentro da localidade, acesso a mercados, escolas islâmicas e água potável para pessoas e gado.
Segundo comunitários, mediadores atuaram com transparência, gerando confiança entre as partes. Em menos de 12 meses, as autoridades locais afirmam que mais de 1.000 pessoas foram libertadas sem pagamento de resgate e que mais de 70 cabeças de gado foram devolvidas.
Os moradores relatam que a vida voltou a quase normalidade em Kurfi. As atividades agrícolas foram retomadas, os cascos voltaram aos estádios locais e comerciantes relataram redução de ataques recentemente.
Entretanto, o acordo não elimina o risco. O governo estadual mantém a posição de não apoiar tratativas com criminosos, o que gerou cobranças da comunidade para manter o canal de diálogo aberto. Autoridades também citam preocupações com retaliações.
Relatos da região apontam que alguns moradores aceitam o pacto como ferramenta prática de contenção enquanto aguardam melhoria de serviços básicos. O fornecimento de água e educação para crianças foi destacado como ganho tangível.
Em outra frente, um acordo semelhante já falhou. Em Doma, Katsina, um cessar-fogo de seis meses terminou com um ataque que resultou em várias mortes, alimentando críticas sobre a durabilidade de tais pactos sem garantias de cumprimento mútuo.
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