Israel notificou o governo britânico de que o consulado do Reino Unido em Jerusalém Oriental deve ser fechado em até 30 dias. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (9) por duas autoridades israelenses e outras duas fontes com conhecimento do assunto, segundo a Reuters.
O consulado, que foi estabelecido em 1839, representa o Reino Unido em questões palestinas em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza. Os diplomatas britânicos que atuam no local perderão o status diplomático dentro do mesmo prazo de 30 dias.
Já os funcionários britânicos ligados à missão de coordenação em Gaza liderada pelos Estados Unidos, além dos diplomatas baseados em Ramallah, têm sete dias para deixar o país. Israel também determinou que o Reino Unido não poderá mais treinar forças de segurança palestinas na Cisjordânia.
Doze parlamentares britânicos e outros cidadãos, entre eles o ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn, crítico de Israel, tiveram a entrada no país proibida. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não respondeu a pedido de comentário sobre o fechamento do consulado.
A medida integra uma série de retaliações israelenses após Reino Unido, França e Canadá anunciarem, na terça-feira (8), sanções contra os assentamentos de Israel. O chanceler britânico, Ed Miliband, disse aos parlamentares que o Reino Unido vai proibir a importação de mercadorias produzidas em colônias na Cisjordânia.
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Além disso, o país passará a agir contra empresas e pessoas que prestam serviços aos assentamentos, incluindo construção, infraestrutura, financiamento e imóveis. França e Canadá afirmaram que também vão proibir a importação de produtos de assentamentos israelenses, enquanto outros nove países, entre eles Dinamarca e Portugal, apoiaram a ação britânica.
Em entrevista à BBC TV, Miliband disse lamentar a decisão israelense de fechar o consulado, mas afirmou que ela não foi uma surpresa. Segundo ele, o governo britânico avaliou os custos e benefícios de agir e concluiu que não poderia se abster por medo de uma resposta de Israel. Na terça-feira, o chanceler havia dito que Israel “fechou os olhos” à violência de colonos contra palestinos.
O chanceler israelense, Gideon Saar, classificou a medida do Reino Unido como “moralmente distorcida” e acusou o país de interferência nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral, às vésperas das eleições israelenses do mês que vem.
Saar também publicou no X um agradecimento a Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador britânico, pelas críticas dela às sanções. Em artigo no jornal The Sun, Badenoch afirmou que o governo trabalhista está colocando interesses partidários à frente do interesse nacional.
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Até agora, a reação dos Estados Unidos tem sido discreta. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Washington não quer ver “nada que desestabilize” a Cisjordânia, mas evitou comentar diretamente as sanções britânicas.
As sanções são as mais recentes de uma sequência de medidas contra a política de assentamentos de Israel e evidenciam o isolamento diplomático crescente do país entre aliados tradicionais.
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