A Alemanha registrou 13.067 denúncias de discriminação em 2025, número recorde na série histórica. O registro aponta aumento de 15% em relação a 2024 e demonstração de crescimento contínuo desde 2019, quando o total era bem menor. O levantamento foi divulgado pela Agência Federal Antidiscriminação.
O total indica que discriminação por raça responde pela maior parcela, com 43% das denúncias, seguido por deficiência ou doença crônica com 27% e gênero com 22%. Demais categorias — idade, religião e identidade sexual — aparecem com menor incidência.
Os relatos mostram onde ocorrem as discriminações: principalmente no ambiente de trabalho, com anúncios de emprego, candidaturas rejeitadas ou assédio; em seguida vêm casos em serviços, saúde, assistência e interações com órgãos públicos.
Ferda Ataman, comissária federal antidiscriminação, diz que os dados de 2025 refletem um endurecimento do racismo na sociedade alemã, com atitudes enraizadas em certos setores. A agência aponta o cenário mais diverso do país, com cerca de 26% da população tendo origem migrante ou sendo descendente.
Mais de 22 milhões de pessoas, em um total de 83 milhões, compõem esse grupo migrante ou de segunda geração. Além disso, o ambiente político mais polarizado, com o crescimento de discursos antiimigrantes, é citado como contexto que potencializa as denúncias e a percepção de discriminação.
Entre os casos notórios estão situações envolvendo uma menina negra de 11 anos que teve o troco recusado por uma vendedora, que citou desconfiança com a frase citada pela imprensa; e o caso da professora Humaira Waseem, que integrou um teste de discriminação com nomes alemães diferentes para comprovar o viés de imobiliárias.
A professora abriu processo com base na lei antidiscriminação, resultando em uma condenação ao pagamento de 3000 euros de indenização pela imobiliária. A decisão, de fevereiro deste ano, abriu precedente sobre o uso de testes para detectar discriminação por origem ou nome.
A lei antidiscriminação completa 20 anos em 2026. A coalizão CDU/SPD sugere ajustes, como estender o prazo de denúncias de três para cinco meses, ainda aquém de outros países da UE, que permitem até cinco anos. A reforma enfrenta críticas por manter lacunas, especialmente quanto a ações contra órgãos públicos.
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