Dois bebês morreram de Ebola no leste da República Democrática do Congo, em Bunia, Ituri, elevando o alerta sobre o impacto da doença em crianças em meio a desnutrição e conflitos. Buswaza, recém-nascida, faleceu pouco após a mãe, no final de maio, no orfanato administrado por uma igreja da região. A saúde local confirmou que a transmissão provável ocorreu no hospital, após a criança apresentar febre.
Após a morte de Buswaza, outros seis bebês do mesmo orfanato, que abriga 69 crianças, passaram a ser considerados casos suspeitos. Eles foram levados ao Centro Médico Evangélico (CME), onde testes positivos para Ebola foram confirmados em uma trigêmea, apelidada de Cherie, que faleceu na quarta-feira. Médicos da instituição destacam o protocolo de tratamento com equipes protegidas.
Profissionais de saúde relataram que três cuidadores do orfanato, incluindo uma freira, testaram positivo para Ebola. A instituição, fundada por freiras belgas na era colonial, tem visto a comunidade local rezar pelos que foram afetados pela epidemia.
Contexto da epidemia e o papel das crianças
Buswaza viveu menos de duas semanas; ela está entre as vítimas mais jovens da atual epidemia, que já infectou quase 600 pessoas e resultou em pelo menos 115 mortes no país. A OMS informou que o vírus Ebola pode ser encontrado em fluidos como sangue, saliva, fluido amniótico e placenta, abrindo possibilidade de transmissão até durante a gravidez ou pelo leite materno.
Desnutrição aguda, baixa cobertura vacinal e conflitos armados agravam o risco de complicações e mortalidade entre crianças. Segundo a UNICEF, cerca de 17% dos casos confirmados no surto atual envolvem crianças, com dados preliminares que sugerem números potencialmente maiores do que o registrado em surtos passados na África Ocidental.
Ações de resposta e desdobramentos
Equipes de saúde realizam visitas diárias ao orfanato para monitorar bebês e funcionários. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou ter sacos para cadáveres infantis, assegurando enterros mais seguros. Autoridades locais reforçam a necessidade de vigilância contínua e isolamento de casos suspeitos para reduzir a transmissão.
Organizações humanitárias destacam a necessidade de apoio contínuo em Ituri, uma região com histórico de crise humanitária. Entre os atores envolvidos, estão profissionais de saúde, freiras do orfanato e equipes internacionais de assistência em saúde pública.
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