O Papa Leão XIV visitou o porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, onde pediu um exame de consciência sobre a crise migratória. O local ficou conhecido como doca da vergonha após o congestionamento de mais de 2.600 pessoas em 2020, muitas dormindo ao ar livre. Nesta quinta, o pontífice transformou o espaço em símbolo de esperança.
Durante a passagem pelo porto, o Papa destacou a dignidade humana como base de políticas migratórias. Definiu como essenciais rotas legais, resgate, assistência e cooperação real contra traficantes, além de proteção para as vítimas e acolhimento digno em casa, sem fome ou violência.
Leão XIV também reforçou o direito de buscar refúgio quando necessário, mas afirmou ainda o direito de permanecer na própria terra quando possível. Ressaltou que a dignidade humana não depende de fronteiras ou passaportes.
Arguineguín marca o encerramento da visita do Papa à Espanha e simboliza a dor migratória na Europa. O encontro ocorreu em meio a uma queda nas chegadas irregulares por mar neste ano, conforme dados espanhóis, e a continuidade de operações de resgate em condições desafiadoras.
Contexto e números recentes
O Ministério do Interior da Espanha registra queda de aproximadamente 35% nas chegadas de janeiro a maio, em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar disso, Ceuta e Melilla registraram aumento de entradas terrestres irregulares, especialmente entre migrantes africanos.
Testemunhos de resgate e assistência foram ouvidos na cerimônia. Profissionais da Caritas e voluntários relataram que gestos simples, como um abraço ou um olhar de apoio, podem comunicar esperança diante da crise. Sobreviventes de tráfico contaram relatos de violência e exploração durante a travessia.
Testemunhos e apelos
Entre as mensagens, o Papa convidou organizações e governos a não acomodarem a indiferença diante do sofrimento. Pediu que comunidades religiosas acolham migrantes de forma contínua, não apenas de forma pontual. Também alertou contra promessas enganosas de paraísos fáceis oferecidos por traficantes.
A instituição religiosa foi lembrada como protagonista do acolhimento, com a missão de acompanhar migrantes com presença constante. O pontífice citou exemplos de resgate, proteção e assistência, enfatizando a necessidade de ações reais em prol das vítimas.
Memorial e continuidade
O encerramento ocorreu com uma cerimônia de homenagem às vítimas da travessia, seguida da bênção de uma cruz erguida em memória aos que não chegaram ao destino. O Papa destacou a importância de não silenciar diante do êxodo e de manter o compromisso com quem partiu em busca de uma vida melhor.
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