A China iniciou as obras de um projeto de 77,2 bilhões de yuans (US$ 11,4 bilhões) para construir um segundo canal de navegação na Barragem das Três Gargantas, buscando aliviar o gargalo na hidrovia do Yangtzé. A obra prevê duas frentes: um novo canal de trânsito no entroncamento e a expansão da capacidade da Barragem de Gezhouba, rio abaixo.
O empreendimento, que começou na segunda-feira (8 de jun. 2026), envolve 160 milhões de m³ de escavação e más de 10 milhões de m³ de concreto. O objetivo é atender navios de 10.000 toneladas e elevar a capacidade de tráfego para 336 milhões de toneladas por ano.
O custo inicial supera o valor estimado para o Canal de Pinglu, outro grande projeto hidroviário no sul da China. A obra deve levar cerca de 9 anos, com a expansão de Gezhouba prevista para quase 8 anos.
Contexto histórico e objetivo estratégico
A Barragem das Três Gargantas, maior usina hidrelétrica do mundo, foi concebida para melhorar a navegação rio acima até Chongqing. Mesmo assim, o sistema de eclusas de 5 estágios acumulou congestionamento há quase uma década, elevando tempos de espera para navios.
Segundo especialistas, mais de 70% da carga a granel, 80% de contêineres e 90% das mercadorias de comércio exterior dependem do canal principal doYangtzé. A alta demanda acelerou a busca por novas obras para desafogar a hidrovia.
Impactos esperados e medidas de mitigação
A jusante, a capacidade de Gezhouba deve subir para 360 milhões de toneladas com a demolição de uma eclusa antiga e a construção de duas novas de estágio único. As autoridades asseguram que a escavação não afetará a geração de energia nem o controle de enchentes.
Medidas ecológicas foram adotadas para reduzir impactos sobre o esturjão, espécie ameaçada. Explosões subaquáticas foram substituídas por escavação mecânica, e ajustes no projeto visam evitar áreas de desova. O custo adicional estimado pela mudança ficou em 2 bilhões de yuans.
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