O artista Gao Zhen, de 70 anos, foi detido em agosto de 2024 na China e, em março, teve início o julgamento por suposta difamação de heróis nacionais e mártires. A acusação utiliza uma lei criada depois da produção das obras, ou mesmo da exposição inicial. O veredito ainda não foi anunciado.
A família de Gao Zhen tornou-se alvo de críticas históricas ligadas à Revolução Cultural, evento que deixou profundas marcas no país. Os trabalhos dele, muitas vezes derivados de traumas familiares, criticam esse capítulo ao retratar figuras oficiais sob uma ótica provocativa.
Gao Zhen não é considerado ativista político; sua produção é de natureza artística. Os irmãos, Gao Zhen e Gao Qiang, mantinham cautela na exibição de obras como Guilt, que retratava Mao Zedong diante de retratos dos pais, exibida apenas em ambiente privado. Em meio às restrições, os irmãos chegaram a mudar-se para os EUA.
Segundo a reportagem, a Revolução Cultural foi decisiva para a transformação econômica e política que se seguiu, deixando sintomas duradouros na cultura chinesa e na psicologia coletiva. A defesa sustenta que as obras questionam a autoridade do regime, não atacando indivíduos.
Gao Zhen está, segundo relatos, em más condições de saúde. Além dele, a esposa Zhao Yaliang e o filho Gao Jia, cidadão americano, não podem deixar a China desde a detenção. Eles não são acusados de crime nem testemunhas no caso e devem ter direito a retornar para casa junto ao artista.
Uma petição pública por sua libertação reuniu artistas, escritores e acadêmicos chineses, que apontam que o caso remete a perseguições da Revolução Cultural. A situação evidencia o estreito espaço para expressão criativa sob o atual governo, bem como o impacto humano de longas disputas legais envolvendo arte e história.
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