Marrocos investe pesado em dessalinização para ampliar água potável extraída do oceano, visando 60% do consumo até 2030. O plano envolve megaprojetos e energia renovável, com foco em água para cidades costeiras e irrigação rural.
Em Casablanca, está em construção a maior usina de dessalinização da África, a 40 km ao sul da cidade. O custo total é de 650 milhões de dólares, financiado em PPP com a Acciona e parceiros marroquinos, com apoio espanhol.
A usina será alimentada por um parque eólico de 360 megawatts, no Saara Ocidental, garantindo energia inteiramente renovável. A operação da Fase I está prevista para fevereiro de 2027; a Fase II, em agosto de 2028.
No conjunto, o projeto terá capacidade de 79 bilhões de galões por ano, atendendo 7,5 milhões de pessoas e irrigando 20.000 acres. Atualmente, o país já opera 17 usinas, produzindo cerca de 108 bilhões de galões anuais.
Segundo o governo, o plano de água contempla ainda barragens, reutilização de águas residuais e uma rede de dutos que desloca água da região norte para o sul. O objetivo é reduzir dependência de chuvas.
Desafios econômicos acompanham a expansão. A água dessalinizada costuma custar mais, entre 1,5 e 4 vezes o preço de fontes tradicionais, segundo especialistas. A irrigação em larga escala exige subsidiações.
A desertificação agrícola é um cenário real. Em Souss-Massa, a usina de Chtouka Aït Baha abastece 1.500 agricultores que exportam para a Europa, com parte da produção destinada a mercados locais.
A gestão da salmoura residual é citada como preocupação ambiental. O discharge da Casablanca prevê diluição em 2,4 quilômetros, embora haja ausência de regulamentação nacional clara sobre limites.
Autoridades destacam propósito duplo: reduzir custos operacionais a longo prazo e diminuir a pegada de carbono na produção de água. Em 2024, renováveis já respondiam por pouco mais de um quarto da eletricidade do país.
Especialistas ressaltam, porém, que a dessalinização permanece cara para muitos produtores. A expectativa é de que custos caiam com avanços tecnológicos e maior uso de energia limpa.
O apoio internacional é considerado essencial. Marrakesh sediou, em 2023, um Congresso Mundial da Água, permitindo compartilhar experiências entre países africanos. Cooperação e financiamento são vistos como chave.
Países vizinhos também ampliam a dessalinização. Argélia, Egito e Senegal avançam com projetos movidos a energia renovável, sinalizando tendência regional de securidade hídrica.
A agricultura responde por grande parte do consumo de água. A irrigação, associada a tecnologia de dessalinização, pode ampliar produção em áreas áridas, desde que acessível financeiramente aos produtores locais.
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