O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na sessão ampliada da cúpula do G7, em Évian, para cobrar mais solidariedade internacional diante da crise de desenvolvimento. O foco foi o recuo da cooperação global e o papel do protecionismo e do unilateralismo na política econômica. O objetivo foi apontar caminhos para redesenhar parcerias entre países ricos e em desenvolvimento.
Lula avaliou que crises econômicas recentes mostraram falhas no modelo vigente. Em seu entender, o sistema financeiro impõe escolhas entre pagar credores e atender necessidades básicas como alimentação de crianças. O discurso destacou a necessidade de redistribuição de recursos e de mudanças no desenho da ajuda externa.
Dados apresentados pelo presidente indicaram quedas na cooperação. Segundo ele, a ajuda oficial ao desenvolvimento recuou 23% no último ano; o Programa Mundial de Alimentos sofreu queda de financiamento em cerca de 40%; e a OMS e o Unicef reduziram orçamentos em mais de 20%. Os números, segundo Lula, impactam diretamente populações vulneráveis.
Contexto econômico e financeiro global
O petista criticou o que chamou de dogmas de desregulamentação de mercados e de austeridade fiscal, afirmando que o protecionismo e o unilateralismo voltaram a ganhar espaço. Ele pediu um sistema financeiro que interrompa a lógica de escolher entre credores e bem-estar social, especialmente para países em desenvolvimento.
No âmbito climático, Lula pediu ampliação do financiamento global para ao menos 1,3 trilhão de dólares por ano. Também mencionou deficiências na implementação do Acordo de Paris e cobrou maior alinhamento entre compromissos e recursos mobilizados, em função da COP 30.
Na cidade francesa, o presidente destacou iniciativas brasileiras como o Fundo Florestas Tropais para Sempre e a Aliança Global contra a Fome. Também reforçou a participação de países detentores de minerais críticos nas etapas de maior valor agregado em cadeias ligadas à IA e à transição energética.
Contato com lideranças e próximos passos
O discurso incluiu recados indiretos a Donald Trump, sem citar o nome, sobre cortes na ajuda externa. A avaliação do Planalto é de que não faria sentido promover encontro para reiterar posições já apresentadas, inclusive sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Ainda em Évian, Lula tem reunião marcada com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro ocorre em meio a tensões com Bruxelas sobre a suspensão de importações de carne brasileira.
Costa afirmou, na véspera, que o diálogo com o Brasil permanece aberto, desde que as normas sanitárias sejam cumpridas. A reunião entre Lula e os europeus será acompanhada de perto por técnicos e diplomatas de ambos os blocos.
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