O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cúpula do G7 sem se reunir bilateralmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mesmo assim, o petista deixou claro, em discurso, sinais de críticas a medidas protecionistas e abriu espaço para negociações sobre tarifas. A expectativa de um encontro direto não foi confirmada pelas equipes diplomáticas.
Antes da reunião, auxiliares de Lula avaliavam a possibilidade de um encontro com Trump, mas um episódio envolvendo a foto oficial do evento gerou dúvidas sobre o clima entre os dois. A situação foi analisada pelo colunista Diogo Schelp, da VEJA, que destacou a dificuldade de confirmar qualquer avanço imediato nas conversas comerciais.
Segundo Schelp, apenas o câmbio de mensagens e o contato institucional já seriam um ganho em meio ao atual cenário diplomático. Um tema central continua sendo a possibilidade de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelos EUA caso não haja progresso nas investigações do escritório comercial americano. Não há previsão de conclusão rápida de qualquer reunião.
Lula no G7 e as críticas a medidas americanas
Mesmo sem acordo formal, Lula criticou indiretamente ações consideradas protecionistas e unilaterais. O presidente ressaltou a soberania dos países na condução de políticas comerciais e combate ao crime organizado, com referência à decisão dos EUA sobre classificar facções criminosas como terroristas.
O conteúdo dos discursos foi visto como tentativa de sinalizar posição brasileira frente a medidas unilaterais, mantendo o Brasil aberto ao diálogo com os EUA, mas sem pactos imediatos. A defesa da soberania nacional ficou em destaque nas falas do presidente brasileiro.
Avanços com a União Europeia
Enquanto as negociações com Washington permanecem sem desfecho, Lula teve encontro com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu. O objetivo foi resolver o impasse sobre a importação de carne brasileira.
Foi concluída a abertura de canais de diálogo entre assessores do Itamaraty e representantes da União Europeia. O veto europeu à compra de carnes brasileiras, a partir de setembro, foi justificado pela falta de documentação sanitária sobre uso de antibióticos e outros insumos na criação dos animais.
Perspectivas para o diálogo técnico
Para Schelp, o avanço mais claro ocorreu na criação de uma mesa de negociação entre Brasil e UE. A discussão, considera ele, é principalmente técnica e envolve regras sanitárias e procedimentos de fiscalização. O objetivo é encontrar uma solução para o impasse sem escalonar tensões.
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