A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a 74 chicotadas por acusação de difundir conteúdo imoral ao publicar um vídeo cantando sem hijab. A decisão envolve ainda oito membros de sua equipe, todos com a mesma pena. A sentença foi divulgada nesta semana pela Abdorrahman Boroumand Center for Human Rights.
A gravação, feita em 2024, mostra Ahmadi usando vestido preto que expunha os ombros enquanto cantava sozinha. Desde 1979, no Irã, mulheres não podem se apresentar publicamente sem cumprir as regras de vestimenta previstas pela República Islâmica.
Ahmadi, de 29 anos, também fica proibida de atuar artisticamente e de viajar por dois anos. A organização de direitos humanos citada confirmou as sanções, destacando o peso das acusações de difamar a castidade pública.
Contexto político e legal
Segundo reporte de veículos europeus, a atriz tem participação pública ligada a movimentos de oposição ao regime. A disseminação de vídeos sem véu tem sido alvo de ações judiciais em parte da imprensa local, com condenações recentes envolvendo artistas e membros de equipes técnicas.
O caso ocorre em meio a protestos que envolvem mulheres que desafiam o uso obrigatório do hijab. As manifestações ganharam notoriedade após casos anteriores de repressão, incluindo a morte de uma jovem detida pela polícia por não respeitar as regras do código vestimentário.
No Irã, a repressão a protestos e as restrições sobre expressão artística têm sido tema recorrente na imprensa internacional. A condenação de Ahmadi e de integrantes de sua banda é apresentada pela defesa como parte de um conjunto de medidas contra a atuação cultural de artistas que desafiam o regime.
A situação mantém o debate sobre liberdade de expressão e direitos das mulheres no país. Organizações de defesa dos direitos humanos acompanham o desdobramento judicial e o impacto sobre a carreira de artistas iranianos.
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