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Russos burlam a cortina digital de Putin com dois celulares e app

Com VPNs e dois aparelhos, russos contornam bloqueios de apps; campanha de soberania digital e queda da popularidade de Putin marcam o cenário antes das eleições

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Em um café de Moscou conhecido pelo Wi-Fi gratuito, uma designer de interiores russa usa VPN para falar com amigos no exterior via WhatsApp, bloqueado no país. Em seguida, desativa a VPN para comprar passagem no site da Ferrovia Russa, que bloqueia quem oculta localização. Ela então troca de celular para checar mensagens no MAX, aplicativo controlado pelo Estado.

A prática de contornar restrições digitais ganhou ritmo desde o acirramento do controle estatal da internet. O Kremlin intensificou medidas para limitar serviços estrangeiros, citando soberania digital e segurança nacional.

Segundo detalhes apurados, muitos russos recorrem a VPNs e a múltiplos aparelhos para acessar plataformas como WhatsApp, Telegram e sites estrangeiros, preservando comunicação e serviços essenciais.

A reportagem aponta que o uso de VPN disparou em março, com 9,2 milhões de downloads dos cinco apps mais populares, conforme dados de uma consultoria de Moscou citados pelo Kommersant. A adoção é significativamente maior que há um ano.

Duas fontes destacam que autoridades classificam usuários como potenciais ameaças à soberania digital, enquanto o governo afirma que o controle da internet é necessário diante do conflito com o Ocidente.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, reiterou que o controle de comunicação é vital em meio ao confronto com o Ocidente, mas Putin orientou, em abril, cautela para evitar políticas exclusivamente restritivas.

O uso de MAX, considerado pelo governo como ferramenta de comunicação controlada, preocupa críticos que veem risco de rastreamento. A VK, proprietária do MAX, nega intenções de vigilância indiscriminada.

Especialistas ouvidos indicam que isolar apps em um segundo celular aumenta a sensação de segurança, mas não elimina riscos de monitoramento. Irina, 41 anos, aponta a necessidade de alternar países virtuais e dispositivos para contornar bloqueios.

Analistas ressaltam que as interrupções de serviços costumam irritar usuários e podem influenciar a percepção pública antes de eleições, previstas para setembro. Partidos de oposição questionam a abordagem do governo.

Em meio à pressão por maior transparência, a narrativa oficial enfatiza a proteção de dados e a defesa contra ameaças externas, com a promessa de manter a operação de serviços essenciais.

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