A região europeia intensifica investimentos e busca reduzir a dependência dos Estados Unidos em defesa. A guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, acelerou esse movimento, com governos europeus ampliando orçamentos e estratégias de autossuficiência.
Segundo o Sipri, os 29 membros da Otan gastaram 559 bilhões de dólares em defesa no último ano, ante 342 bilhões em 2021. A Alemanha liderou os aportes entre os países europeus, desembolsando 114 bilhões de dólares, alta de 24% em relação ao ano anterior.
A mudança constitucional alemã de 2025 retirou limites de endividamento na área de defesa, abrindo espaço para investimentos maiores. O objetivo é sustentar capacidades avançadas e a independência na cadeia de suprimentos.
Fortalecimento da indústria de defesa
A Europa investe para reduzir vulnerabilidades e manter tecnologia de ponta, com projetos de caças de nova geração e colaboração entre países. Iniciativas como GCAP envolvem Reino Unido, Itália e Japão, enquanto Suecia fortalece seu ecossistema ao redor do Gripen e de drones.
Fabricantes europeus, como Rheinmetall, Thales e Leonardo, ganham com o aumento de gastos. No entanto, produtores enfrentam entraves para acelerar a produção e atender à demanda, gerando dúvidas entre investidores após resultados fracos no primeiro trimestre de 2026.
Fragmentação e interesses divergentes
O setor enfrenta estruturas fragmentadas e desvantagens de escala frente a concorrentes norte-americanos. Projetos conjuntos, como o FCAS Franco-Alemão, foram interrompidos por divergências entre Dassault e Airbus Defence and Space, impactando a cooperação continental.
Ainda sem definição, o futuro de outros grandes programas europeus permanece incerto, incluindo o desenvolvimento de novos tanques. Em contrapartida, o Airbus A400M Atlas é citado como exemplo de sucesso em cooperação entre estados.
Em termos de aquisição, autoridades destacam que coordenação entre governos é crucial. Alemanha, França e Polônia seguem caminhos distintos para sistemas de artilharia de foguetes, o que ilustra o desafio de alinhar prioridades nacionais.
Aquisições são gargalo
Especialistas apontam que o processo de compras continua lento, dificultando inovação e cooperação. O relatório do Nupi descreve o ponto fraco como institucional, com protecionismo e decisões baseadas em consenso.
Sugestões para reduzir entraves incluem formar coalizões entre países com interesses alinhados e criar sistemas minilaterais para ganhar escala e padronização, abrindo caminho para expansão futura.
Economia e defesa
Observa-se preocupação com a sustentabilidade dos gastos militares diante de contas públicas pressionadas. Dados de mercado indicam queda de confiança em empresas do setor, com quedas expressivas em índices setoriais desde o início de 2026.
Governos veem defesa não apenas como segurança, mas como motor econômico, com expectativa de geração de empregos e estímulo à indústria pesada. O desafio é manter equilíbrio entre segurança e bem-estar social.
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