A Venezuela foi abalada nesta quarta-feira por uma sequência de dois tremores de terra no norte do país, a oeste de Caracas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O sismo principal teve magnitude 7,5, seguido de um abalo de 7,2 apenas 39 segundos depois.
O abalo gerou pânico em Caracas, com moradores deixando prédios e deixando-se levar pelas ruas. Equipes de emergência atuaram em áreas com edificações danificadas, conforme imagens divulgadas por agências internacionais.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o tremor foi sentido em várias unidades federativas. O portal Efecto Cocuyo reportou danos em edifícios nos bairros de Los Palos Grandes, Altamira e San Bernardino, na capital. Também houve relatos de quedas de energia e de internet em partes do país.
Alerta de tsunami
O USGS emitiu alerta vermelho no sistema PAGER, indicando possibilidade de vítimas numerosas e danos extensos, com potencial para desfechos de grande escala. Estimativas apontaram variação de 1% a 5% do PIB da Venezuela em perdas econômicas.
O terremoto levou à emissão de alertas de tsunami para o Caribe. Avisos chegaram a Porto Rico e às Ilhas Virgens Americanas, com preocupação também em Aruba, Curaçao e Bonaire. Os avisos foram, contudo, revogados posteriormente.
O tremor também foi sentido fora da Venezuela. Moradores da Colômbia relataram abalos, e pessoas deixaram prédios em Bogotá por precaução. No Brasil, houve relatos de tremores em Manaus, Belém, Roraima e Amapá.
Motivações geológicas e possível recorrência
O USGS informou que o epicentro ocorreu em área de contato entre as placas do Caribe e da América do Sul, envolvendo uma falha do tipo transcorrente associada ao sistema de falhas de Boconó. A profundidade de apenas 10 quilômetros classifica o tremor como superficial, o que tende a ampliar danos próximos ao epicentro.
As autoridades apontam ainda risco de novas réplicas. Segundo o USGS, existe probabilidade de pelo menos uma réplica de magnitude 6 ou maior nas próximas semanas, com alta chance de réplicas de magnitude 5 ou maior. A previsão aponta para cerca de 43% de chance de um sismo 6+ e 98% para 5+.
Histórico regional indica que o norte da Venezuela registra terremotos fortes com frequência. Desde 1900, a área contabiliza vários abalos de magnitude 7 ou superior, com o evento de Caracas em 1967 entre os mais devastadores na região.
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