Diante das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz e da volatilidade do petróleo, o setor de combustíveis monitora impactos potenciais na segurança energética global. Maurício Tolmasquim, consultor do Banco Mundial, pediu que o setor avalie cenários mais extremos, como faz o setor elétrico, mantendo vigilância de risco.
No Energy Summit, realizado no Rio de Janeiro, Tolmasquim destacou que custos são esperados, mas a visão de risco pode justificar medidas como seguros estratégicos, diante de possíveis choques de preço e interrupções. O tema ganhou relevância em meio a instability regional.
Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a eventual interrupção em Ormuz, responsável por cerca de 20% do óleo transportado por mar, provocaria choques de preço expressivos, impactando especialmente emergentes com menos folga fiscal.
Tolmasquim exerce também função no conselho da Axia Energia. Ele aponta que produção e consumo de petróleo devem permanecer significativos por algum tempo, e que vulnerabilidades na cadeia de suprimento podem exigir novas refinarias conforme a equação de custos.
Alternativas para geração de energia
O especialista citou biomassa como vetor de descarbonização do transporte, com etanol, biodiesel, SAF e biometano, que pode substituir o gás natural em frotas de caminhões. Renováveis ganham peso pela eletrificação industrial e mobilidade elétrica.
Renováveis são vistas como estratégicamente importantes para a segurança de abastecimento, por serem fontes domésticas. Tolmasquim alerta para a necessidade de maior nacionalização da produção de equipamentos, hoje fortemente concentrada na China.
Marcelo Simas, professor do Energy Hub SDP, comentou que reduzir a produção fóssil não parece viável no cenário geopolítico atual, ressaltando o papel do Brasil e potencialidades na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas. O pré-sal foi citado como necessidade de novas fronteiras.
Simas apontou que a exploração de óleo e gás representa 1% das emissões de gases de efeito estufa, destacando que desmatamento, queimadas e uso do solo correspondem à maior parcela. Projeções indicam liderança brasileira na produção até 2030.
O professor mencionou ainda o projeto de um hub de inovação privado do Grupo Sai do Papel, criado para reduzir a dependência de diesel importado (30%) e de fertilizantes, fortalecendo a dependência nacional de insumos.
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