Em celebração ao Ano Cultural Brasil-China, o Museu Histórico Nacional (MHN), no centro do Rio de Janeiro, abriu neste sábado a exposição Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga. A mostra percorre milhares de anos da civilização chinesa a partir da alimentação, um dos pilares da cultura do país.
Com 121 objetos vindos do Museu Nacional da China, em Pequim, a exposição ficará nas galerias temporárias do MHN até 11 de outubro. A entrada é gratuita e o percurso foca a China antiga, anterior à República, até as transformações do século XX, com ênfase nos primeiros milênios.
A mostra organiza o percurso em cinco núcleos temáticos, iluminando camadas distintas da relação entre chineses e alimentação: nutrição variada, cozimentos e bebidas quentes, rituais e reverência ao céu, deleite estético e harmonia compartilhada. Segundo a curadoria, a alimentação é o ponto de contato entre várias dimensões da cultura.
O acervo cobre cerca de 10 mil anos de história, destacando materiais como cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, laca e madeira. O diretor do MHN aponta que a segurança alimentar era tema político relevante em diversas dinastias, ligado a organização social e ao equilíbrio entre material e espiritual.
Giancarlo Hannud, consultor e tradutor da mostra, destaca a peça mais antiga, um triturador e moedor de trigo com cerca de 12 mil anos, como símbolo da diversidade de formas de alimentação. A curadoria reforça que a China é berço de cultivo de milheto e arroz, além da domesticação de animais como cachorro, porco e galinha.
Por volta de 4 mil anos atrás, espécies como carneiro, gado bovino e cavalo chegaram ao território chinês, junto com o cultivo do trigo, expandindo as práticas alimentares e a agropecuária da região. A exposição busca apresentar a alimentação como lente para entender a cultura, a política e os rituais chineses.
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