O Paquistão lançou ataques aéreos e enviou tropas terrestres para províncias afegãs ao longo de sua fronteira oeste neste domingo, segundo autoridades paquistanesas. As operações teriam deixado dezenas de civis mortos, conforme relatos de autoridades afegãs e paquistanesas.
O governo talibã de Cabul qualificou o ato como “covarde” e o classificou como crime e atrocidade. Oficiais talibãs afirmaram à BBC Pashto que pelo menos 100 pessoas ficaram mortas ou feridas. O Paquistão, por sua vez, disse que os ataques foram direcionados a abrigos de militantes, em Paktia, Paktika e Kunar.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, informou que 29 militantes foram mortos durante as operações. A divulgação ocorre em meio a acusações recíprocas de ataques a civis e de violações de cessar-fogo, já quebrado após acordos mediadas internacionalmente no ano passado.
Contexto e desdobramentos
Autoridades dos dois países afirmam que o ataque visava militantes, mas o governo talibã sustenta que houve destruição de casas civis. Não há verificação independente das cifras de baixas. Mandikhel, vila em Paktika, é citada pelos talibãs como local de maior impacto.
A escalada acontece em meio a confrontos intermitentes na fronteira, que já deixaram dezenas de mortos nos últimos meses. Em fevereiro, choques entre as tropas resultaram em várias mortes. Em março, um ataque paquistanês a um centro de reabilitação em Kabul deixou centenas de mortos.
No dia anterior, três membros da Rangers de Sindh, força paramilitar do Paquistão, morreram no quartel-general de Karachi, num ataque que também deixou três militantes mortos. O grupo Jamaat-ul-Ahrar reivindicou a responsabilidade, segundo fontes paquistanesas.
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