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Impacto dos terremotos na Venezuela, mostrado pela VEJA

Terremotos duplos devastam La Guaira e Caracas, com mais de dois mil mortos, cerca de dez mil feridos e dezenas de milhares desabrigados; resposta humanitária lenta

SEM CHÃO - Desespero de moradora de La Guaira: mortos e feridos nas ruas da cidade que foi o epicentro dos terremotos (Pedro Mattey/AP/Imageplus)
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Nas ruas de La Guaira, perto de Caracas, a tragédia dos terremotos mudou o cenário da região. Dois tremores consecutivos, com mais de 7 de magnitude e 39 segundos de diferença, deixaram a cidade em ruínas na noite de quarta-feira (24). O abalo se expandiu para sete estados da Venezuela, ceifando milhares de vidas e deixando dezenas de milhares desabrigados.

Em La Guaira, o panorama é de devastação: prédios de até 15 andares desabaram, transformando ruas em montes de escombros. O necrotério ficou sem espaço, e cadáveres foram deixados às margens da cidade. Moradores eventualizaram a demora das equipes de resgate e a escassez de recursos.

A cidade que abriga o principal aeroporto internacional do país ficou sob pressão maior pela falta de suprimentos, energia e infraestrutura. Relatos indicam que equipes de resgate contaram com apoio internacional, porém a resposta inicial foi descrita como tardia por moradores.

Entre as redes de apoio, o saldo oficial inicial aponta para mais de 2 mil mortos e cerca de 10 mil feridos até o dia seguinte. Aproximadamente 50 mil pessoas estariam consideradas desaparecidas, segundo informações apuradas pela reportagem da VEJA.

Em Caracas e bairros como Altamira, estruturas históricas também sofreram danos. Um edifício de treze pisos desabou, e 18 pessoas foram resgatadas com vida de escombros nos primeiros dias de operação.

Personagens locais relatam histórias de resgate improvisado. Dayana Patiño, soterrada por 30 horas, foi encontrada viva ao abraçar o filho de 18 dias. Enquanto esperanças se mantém, o tempo para encontrar sobreviventes diminuiu para além das 72 horas controversas.

As falhas na resposta pública são associadas à crise econômica de longa data, ao sucateamento de serviços essenciais e à gestão governamental. A agência de resgate atuar com equipes reduzidas e sem equipamentos críticos, segundo relatos de socorristas.

O governo interino anunciou um fundo de recuperação de 200 milhões de dólares, financiado com recursos do FMI. O objetivo é financiar reconstrução e assistência, diante de uma dívida pública elevada e restrições orçamentárias.

Críticos apontam que a calamidade pode acentuar tensões políticas existentes. A oposição e analistas mencionam a dificuldade de coordenação entre autoridades locais e internacionais, em meio a um cenário de sanções e pressões externas.

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