O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a divulgação de sanções dos Estados Unidos contra dois brasileiros prejudicou a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira para desarticular grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico internacional. A ação envolveu a PF e teve como foco alvos vinculados ao PCC.
Segundo Rodrigues, não é possível entrar em detalhes operacionais por sigilo, mas admitiu que a divulgação das sanções pode ter impactado o desfecho da operação. Ele indicou que um dos alvos não foi localizado pela PF durante a ofensiva.
Victor Shimada e Stella Oliveira foram citados pela autoridade brasileira como pessoas sancionadas pelo governo americano. Shimada era alvo de mandado de prisão e não foi localizado, enquanto Stella Oliviera foi detida hoje pela PF, após também ter sido sancionada.
Detalhes da operação e contexto
Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF, explicou que a operação já havia sido solicitada pela Justiça Federal antes da divulgação das sanções. Os alvos são investigados tanto no Brasil como nos Estados Unidos.
Cali informou ainda que a sanção acelerou a deflagração da intervenção. Shimada é investigado nos EUA por movimentações financeiras no país, mesmo residindo no Brasil. A PF confirmou que a investigação brasileira já analisava as conexões com o PCC.
As sanções impedem a atuação de ativos nos EUA e bloqueiam empresas ligadas aos investigados. A PF afirmou que a movimentação financeira envolve criptomoções, transferências e valores significativos entre pessoas físicas e jurídicas.
Alcance e medidas legais
A operação envolveu mais de 50 policiais federais e resultou em 11 mandados de prisão temporária, além de 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também houve sequestro de bens, valores e criptoativos, estimado em até 10,4 bilhões de reais.
A PF informou que as apurações indicaram um sistema estruturado de movimentação de recursos, com operações de alto valor e transferência de criptomoedas para o Brasil em nome do PCC. Shimada é investigado no Brasil por possível participação no caso VaideBet, envolvendo patrocínio de clube.
Observações finais sobre cooperação
Andrei destacou a necessidade de maior cooperação com os EUA em ações além do combate ao tráfico, como lavagem de dinheiro, bloqueio de bens e repatriação de foragidos. A autoridade frisou que a colaboração bilateral pode melhorar resultados na prevenção de crimes transnacionais.
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