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Mortes em Ceuta sobem para 75; vídeos podem ter motivado onda migratória

Vídeos virais e desinformação nas redes sociais podem ter ajudado a impulsionar travessia em massa na Espanha

Veículos militares e um soldado patrulham uma via em Ceuta, na Espanha, enquanto dezenas de pessoas observam do alto de uma encosta atrás de uma cerca.
Militares espanhóis fazem patrulha enquanto migrantes tentam atravessar a barreira fronteiriça com o Marrocos para entrar no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África | Jorge Guerrero/AFP

O número provisório de mortos na crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para 75, informou nesta terça-feira (4) o ministro do Interior da França, Laurent Núñez, após uma reunião por videoconferência com ministros do Interior da União Europeia. Segundo ele, a atualização foi apresentada pelo ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, que ressaltou que o balanço ainda pode aumentar.

A tragédia ocorreu após uma travessia em massa iniciada na última quinta-feira (30), quando cerca de 72 mil migrantes entraram irregularmente em Ceuta a partir do Marrocos. De acordo com o governo espanhol, aproximadamente 70 mil já deixaram o território.

O número provisório de mortos na crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para 75, informou nesta terça-feira (4) o ministro do Interior da França, Laurent Núñez, após uma reunião por videoconferência com ministros do Interior da União Europeia.

Segundo ele, a atualização foi apresentada pelo ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, que ressaltou que o balanço ainda pode aumentar.

A tragédia ocorreu após uma travessia em massa iniciada na última quinta-feira (30), quando cerca de 72 mil migrantes entraram irregularmente em Ceuta a partir do Marrocos. De acordo com o governo espanhol, aproximadamente 70 mil já deixaram o território.

Vídeos virais podem ter impulsionado migração em massa

Além da atualização do número de vítimas, uma investigação mostrou que vídeos virais e informações enganosas nas redes sociais tiveram papel importante na mobilização da travessia. Publicações amplamente compartilhadas afirmavam, de forma incorreta, que migrantes que chegassem a Ceuta pelo mar não seriam devolvidos e poderiam permanecer na Espanha.

Entre os conteúdos que ganharam repercussão estavam vídeos de jovens comemorando a chegada ao enclave espanhol e gravações de influenciadores registrando a travessia a nado.

Um dos vídeos mais compartilhados mostrava um homem dizendo que quem chegasse a Ceuta pelo mar não seria deportado imediatamente. A mensagem reforçava interpretações equivocadas sobre uma decisão da Suprema Corte da Espanha relacionada ao tratamento de migrantes interceptados no mar. Um post dizia ainda que a decisão ia até 30 de julho, o que pode ter pressionado jovens a irem todos de uma vez só.

+ Espanha instala barreira flutuante em Ceuta, na Espanha

vídeos virais que inspiraram dezenas de milhares de pessoas a nadar até Ceuta

Vídeos virais que podem ter inspirado dezenas de milhares de pessoas a nadar até Ceuta. | Reprodução/Reuters

O impacto das publicações também apareceu nos relatos de familiares. Um pai afirmou à agência Reuters que seus dois filhos decidiram seguir para Ceuta após verem mensagens no Instagram dizendo que o enclave estava “aberto”.

Grupos públicos no WhatsApp também podem ter impulsionado a travessia. Um relatório do analista de segurança espanhol Chema Gil identificou dois grupos, administrados por números argelinos e com cerca de 3.700 membros, que compartilhavam orientações sobre rotas para Ceuta e incentivavam os membros a agirem rapidamente.

+ União Europeia cobra “medidas mais rigorosas” da Espanha após crise em Ceuta

Entenda essa decisão da Suprema Corte da Espanha

Em 9 de julho, a Suprema Corte da Espanha decidiu que migrantes interceptados no mar ao tentarem chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser submetidos à chamada “devolução imediata”, mecanismo que permite expulsões sumárias na fronteira.

Segundo o tribunal, essa regra só se aplica a quem tenta entrar no território superando barreiras físicas de contenção, como as cercas que cercam os enclaves espanhóis no norte da África, e não a pessoas resgatadas ou interceptadas no mar.

Na prática, a decisão determinou que migrantes que chegam nadando devem passar pelo procedimento migratório comum, com identificação, análise individual do caso e possibilidade de solicitar proteção internacional antes de qualquer eventual deportação. A sentença, porém, não garante o direito de permanecer na Espanha, nem impede que essas pessoas sejam devolvidas posteriormente às autoridades marroquinas conforme a legislação vigente.

* Com informações da Reuters.

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