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Espanha diz que Ceuta é “intocável” após Marrocos reivindicar território

Mais de 70 mil pessoas tentaram cruzar a fronteira para o enclave espanhol no fim de julho; UE promete apoio financeiro

Um grupo de migrantes aproxima-se do posto de fronteira para retornar ao Marrocos (Henry Nicholls/AFP)
Um grupo de migrantes aproxima-se do posto de fronteira para retornar ao Marrocos (Henry Nicholls/AFP)

O deslocamento de 72 mil pessoas para Ceuta, que resultou em quase uma centena de mortes, ainda repercute. Ao menos cinco mil pessoas continuam habitando praças, ruas e cemitérios. Nesta quarta-feira (12), a ministra da Defesa da Espanha respondeu às alegações do ministro da Justiça do Marrocos de que o enclave deveria ser anexado ao país africano.

O deslocamento de 72 mil pessoas para Ceuta, que resultou em quase uma centena de mortes, ainda repercute. Ao menos cinco mil pessoas continuam habitando praças, ruas e cemitérios. Nesta quarta-feira (12), a ministra da Defesa da Espanha respondeu às alegações do ministro da Justiça do Marrocos de que o enclave deveria ser anexado ao país africano.

“Ceuta e Melilla não são apenas espanholas, são super-espanholas e intocáveis. Qualquer ataque (aos enclaves) é um ataque à Espanha como um todo. Isso nunca mais deve acontecer”, afirmou a ministra Margarita Robles.

No dia anterior (11), o ministro marroquino Abdellatif Ouahbi afirmou, durante uma entrevista, que o país mantém as reivindicações históricas da região. A monarquia marroquina reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla desde sua independência, em 1956.

Ceuta foi tomada por Portugal no início da expansão marítima portuguesa e, em 1680, passou a fazer parte da Coroa espanhola após o fim da União Ibérica, período em que os monarcas espanhóis governavam toda a Península Ibérica.

O que aconteceu?

Na última semana de julho, uma massa com mais de 70 mil pessoas — tanto marroquinos quanto refugiados de outros países africanos — cruzou a nado do lado marroquino para Ceuta. Durante a travessia, 96 pessoas morreram.

O governo espanhol elogiou as autoridades do reinado de Mohammed VI e do primeiro-ministro Aziz Akhannouch pela cooperação no repatriamento dos imigrantes. Desde o incidente, a gestão de Pedro Sánchez tem levantado suspeitas sobre o envolvimento de grupos criminosos no caso.

Uma reportagem da BBC News Árabe mostrou dezenas de publicações no Facebook convocando pessoas para uma segunda tentativa de travessia. Além disso, algumas postagens ofereciam equipamentos de natação à venda.

+Chegada de 60 mil imigrantes a Ceuta abre crise entre Espanha e UE

UE promete apoio fronteiriço

O último grande fluxo migratório ocorreu em maio de 2021. Na ocasião, autoridades marroquinas pareceram flexibilizar os controles de fronteira, em um movimento interpretado como retaliação política. Na época, a Espanha havia acolhido um líder independentista do Saara Ocidental, território cuja soberania é reivindicada pelo Marrocos.

+União Europeia cobra “medidas mais rigorosas” da Espanha após crise em Ceuta

A União Europeia tem recorrido cada vez mais a acordos migratórios com países do norte da África para conter chegadas irregulares. No início de agosto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs aumentar o apoio financeiro ao Marrocos para evitar um novo fluxo migratório.

“O Marrocos é um importante parceiro estratégico, especialmente em nossos esforços para combater o tráfico de migrantes e a migração ilegal”, escreveu Von der Leyen.

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