Depois de um mês sem ataques, os Estados Unidos bombardearam neste domingo (30) a ilha iraniana de Larak. Segundo o comando militar dos EUA para o Oriente Médio (Centcom), o alvo foram dois lançadores de mísseis, depois que forças americanas notaram membros da Guarda Revolucionária Islâmica se preparando para lançar minas navais por foguete. O […]
Depois de um mês sem ataques, os Estados Unidos bombardearam neste domingo (30) a ilha iraniana de Larak. Segundo o comando militar dos EUA para o Oriente Médio (Centcom), o alvo foram dois lançadores de mísseis, depois que forças americanas notaram membros da Guarda Revolucionária Islâmica se preparando para lançar minas navais por foguete.
O Irã afirma que o ataque deixou mortos e feridos. Em resposta, a Guarda Revolucionária disse ter atacado bases militares dos EUA na Jordânia com mísseis e drones, mirando instalações técnicas e aeronaves. O Exército da Jordânia confirmou ter interceptado oito mísseis em seu espaço aéreo, mas não informou de onde partiram.
Por que os ataques voltaram agora?
Nas últimas semanas, o governo Trump vinha reduzindo as operações militares contra o Irã e apostando mais em pressão econômica, embora ainda houvesse trocas de tiros pontuais, principalmente perto do Estreito de Ormuz.
O estreito é uma rota estratégica por onde passava, antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e gás transportado no mundo. Hoje ele está bloqueado pelo Irã, que ataca navios que tentam atravessá-lo, enquanto os EUA mantêm um bloqueio aos portos iranianos. Segundo o Centcom, a remoção de minas das rotas de navegação internacionais no estreito foi concluída na semana passada, e a região segue sendo monitorada de perto.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, que revidou atingindo países do Golfo aliados de Washington. Um cessar-fogo em abril interrompeu cerca de 40 dias de bombardeios intensos, e em junho as partes chegaram a um acordo para encerrar o conflito definitivamente. Mas o acordo foi rompido em julho, quando os combates recomeçaram — e as negociações seguem travadas desde então.
Após a notícia dos ataques deste domingo, o preço do petróleo subiu: o barril do Brent voltou a superar os 90 dólares, e o WTI (referência americana) chegou a 85,41 dólares.
Pressão econômica ganha espaço com eleições chegando
A guerra é impopular entre os americanos, o que tem peso político com as eleições de meio de mandato marcadas para novembro — nas quais os republicanos podem perder o controle do Congresso. Por isso, os EUA vinham sinalizando preferência por sanções em vez de ação militar.
🔎As eleições de meio de mandato (midterms) acontecem nos EUA a cada 4 anos, no meio do mandato presidencial de 4 anos, e renovam toda a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e diversos governos estaduais. Elas costumam servir como um termômetro da popularidade do presidente.
Na segunda-feira passada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou um novo pacote de sanções “secundárias”. Elas não atingem o Irã diretamente, mas seus parceiros comerciais nos setores de ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo. Washington também sancionou 60 pessoas, empresas e navios acusados de ajudar o Irã a lucrar com petróleo, comprar armas e realizar ataques cibernéticos.
A China, parceira econômica importante do Irã e um dos alvos indiretos dessas sanções, afirmou que vai defender seus interesses e sua cooperação com Teerã. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu que o país enfrenta dificuldades econômicas sérias — mas o governo iraniano insiste que os EUA não vão conseguir “nada” com a pressão e descarta qualquer recuo no bloqueio do Estreito de Ormuz.
Com informações da AFP.
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