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El Niño “gigantesco” pode bater recorde histórico, diz agência da ONU

Fenômeno deve se intensificar até 2027 e eleva risco de secas severas e tufões de acordo com OMM

Governo anuncia R$ 1,3 bilhão em ações contra impactos do El Niño
Governo anuncia R$ 1,3 bilhão em ações contra impactos do El Niño. | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O El Niño deve ganhar ainda mais força ao longo de 2027 e tem chance de superar todos os recordes já registrados, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta quinta-feira (3). O aumento da intensidade do fenômeno eleva o risco de eventos climáticos extremos no próximo ano.

Segundo a agência da ONU, as projeções atuais apontam probabilidade de quase 100% de que o El Niño continue ativo até fevereiro de 2027, em razão das temperaturas elevadas de maneira anormal no Oceano Pacífico. A organização destacou que é a primeira vez que expressa esse nível de certeza sobre o fenômeno.

El Niño pode ser o mais forte da história recente, alerta Met Office

“Se essa trajetória continuar, ele poderá ser mais forte do que qualquer outro desde o início de nosso monitoramento. Literalmente, fora dos gráficos”, declarou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, durante entrevista coletiva na sede da entidade em Genebra.

O El Niño consiste no aquecimento periódico das águas superficiais no Pacífico oriental, provocado pela redução da força dos ventos alísios. O fenômeno costuma se repetir a cada dois a sete anos e se estender por até doze meses, dando origem a chuvas volumosas e períodos de seca em diferentes pontos da América Latina.

Quando atinge grande intensidade, o El Niño tem potencial para modificar de forma expressiva os regimes de chuva e temperatura em escala global, favorecendo o surgimento de secas severas e tufões.

Aquecimento do oceano

Embora seja um processo natural e não decorra diretamente da queima de combustíveis fósseis, o fenômeno pode se intensificar por causa do aquecimento das águas oceânicas, que já está em curso.

“O El Niño está se tornando gigantesco diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está em águas desconhecidas, e essas águas estão se aquecendo“, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

De acordo com a OMM, as temperaturas verificadas no Pacífico durante o episódio deste ano já superam em mais de dois graus Celsius a média histórica. O evento atual é apenas um entre quatro já enquadrados na categoria máxima de intensidade, chamada de “muito forte”, desde que os registros começaram, em 1950.

O fenômeno já vem afetando a produção agrícola em regiões tropicais e agravou a crise de alimentos no chamado Corredor Seco da América Central.

Governo prevê mais de R$ 1,3 bilhão para enfrentar efeitos do El Niño

Conforme comunicado da organização, o pico do El Niño é esperado para o final deste ano, mas seus efeitos devem se estender até 2027 e contribuir para temperaturas globais mais altas no próximo ano, segundo autoridades da entidade.

“Normalmente, após um evento de El Niño, tendemos a observar uma oscilação nas temperaturas globais, algo temporário”, explicou à reportagem Wilfran Moufouma Okia, chefe do setor de previsão climática da OMM, em referência a 2024, o ano mais quente já registrado até então. “2027 tem potencial para ser o ano mais quente já registrado.”

A OMM afirmou que está reforçando as ações de preparação e alerta antecipado para que os países possam adotar medidas preventivas, como o uso de culturas mais resistentes à seca em determinadas regiões.

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